 Prlogo
 Querem saber?
Fiquei de SACO CHEIO de shippers. , isso mesmo, cansei daquele tipo de discusso olha, eu acho que D/G  melhor que H/H... DEUS ME LIVRE H/H, VOC EST LOUCA????? 
 CLARO QUE O CERTO  H/R!!!! Pois .. Encheu, bleah! 
S que eu tive idia de um romancinho... e ele TINHA que se passar em Hogwarts, porque em outro lugar no faria sentido. E da, eu comecei essa histria, a histria 
de um menino que se achava...
 

QUASE FELIZ
Fanfiction por Aline Carneiro para todas aquelas meninas que se odeiam pela ausncia de um palmo de rosto ou de corpo perfeito. 
E para os meninos que se acham os menos interessantes sobre a face da terra. 
 
PARTE 1 -QUASE UM BRUXO
 
Porque ela tinha que aparecer na minha vida? No sei. S sei que ela desarrumou tudo. E em grande estilo, conforme vocs vo saber. O que eu sei realmente,  que 
eu era quase feliz. Eu quase me sentia aceito, afinal, era bem tratado pelos
meus amigos. Bem, eu tinha a impresso que os meus trs melhores amigos eram
mais unidos  l entre eles, mas eu quase no me importava com isso. S um
pouquinho, um pouquinho de nada.  Afinal, o que eu queria? Quem pode querer
andar com um quase aborto? O fato deles no me tratarem como um j era um bnus.
E tinha a Hermione... bom, eu achava que  ela nunca ia gostar de mim, mas eu no
me importava muito com isso. Afinal, bastava ela quase gostar de mim, ou melhor,
gostar sim, mas no do mesmo jeito que eu  gostava dela. Isso quase no tinha
importncia nenhuma... Eu quase me acreditei muito esperto porque no quarto ano
consegui par para o baile antes de todo mundo na minha turma! T, eu tinha a
impresso que o Harry estava  com mais medo que eu de convidar algum, e o Rony
apesar de toda aquela banca, na verdade, era um cara, assim, quase igual a mim.
A vantagem dele era que ele apesar  de tudo tem mais carisma que eu. Mas,
convenhamos, no meu entender at o Trevo, meu sapo, tem mais carisma que eu!
Como eu no tinha nada a perder, convidei Hermione.  Como eu sou eu, claro, ela
j tinha arrumado para para o baile. Acho que comecei a desistir dela quando ela
apareceu com o Krum. Acabei indo com a Gina, mas isso  no a fez muito feliz.
No  nem o caso de ser a ltima opo, mas de no estar entre as opes
possveis.  No ano anterior, eu havia me sentido muito corajoso e capaz quando
Harry resolveu ensinar a gente a se defender. Eu ainda tinha ntida a memria da
noite em que  a gente realmente enfrentou bruxos das trevas. Na poca, eu,
Harry, Rony e Hermione havamos achado que toda aquela arrogncia do Draco
Malfoy seria sepultada pela  priso do pai dele. Mas a me dele NO fora presa,
e no era muito melhor que o pai. Malfoy no cansava de dizer que o pai dele
cedo ou tarde sairia da priso.  Mas, apesar disso eu me sentia realmente um
cara quase feliz. Quase me contentava com o fato de adorar a Hermione de forma
platnica, porque com isso eu tinha a  impresso que ela se sentia em dvida
comigo, e me dava aquela ateno to grande, principalmente na aula de poes.
Meu desempenho na aula de poes dava um sentido todo novo  palavra humilhao.
A minha relao com o professor Snape era estimulante para os outros alunos.
Cada  vez que algum se sentia medocre e pattico olhava para mim e dizia: ,
ainda no sou como o Longbottom. Ainda existe esperana. Eu j estava quase
acostumado  com isso. No que meu pnico diante dele tivesse realmente
diminudo, isso  que no. Ele continuava sendo o bicho papo. Toda aquela
terapia na aula de defesa contra  as artes das trevas havia sido realmente em
vo. O que, at ento eu NO entendia era COMO eu havia passado para o nvel
intermedirio em poes, o que parecia  para mim to possvel quanto um trasgo
voar.  Mal ou bem, eu sempre passava de ano, mas pra mal que para bem: no
primeiro ano, acho que aqueles pontos que o professor Dumbledore me deu salvaram
o dia, no segundo  ano, quando eu COM CERTEZA seria reprovado, eu fui salvo por
aquela histria do Harry com o basilisco, que fez os exames serem cancelados
(como eu comemorei isso!);  no terceiro ano, milagrosamente, eu passei (nem me
perguntem como); no quarto ano, acho que os professores foram benevolentes, e eu
passei. Mas dessa vez eu no  comemorei. No havia motivo para isso. No quinto
ano, a grande surpresa: eu passei em TODOS os N.O.M.s (Nveis Ordinrios de
Magia), ou seja, aquilo que define se  voc  minimamente bruxo. Eu,
francamente, ainda tinha algumas dvidas a respeito disso At hoje eu acho que,
hum, bem, algum deve ter trocado as notas. Eu queria  REALMENTE ter ficado
reprovado em poes. 
        O sexto ano era um ano do terror. No havia NOMs e nem NIEMs, mas logo
depois dos feriados de Natal, cada professor passou uma tarefa para o resto do
semestre  que valia 50% das notas para aquele ano, o ano intermedirio de
avaliao entre o bsico e o avanado, ou seja, um ano to massacrante quanto o
anterior e o posterior.  Vocs pensam que que, com toda essa histria de
Vocs-sabem-quem voltando os professores deram um desconto, e a tarefa foi
facinha, n? ERRADO, meus amigos! Os  nossos queridos professores positivamente
queriam nos fazer ou enlouquecer ou aprender pela dor. No caso do Snape, acho
que ambos, no necessariamente nessa mesma  ordem:   - Muito bem... vocs
acham que so bruxos, no  mesmo? Acham que aqui vo conseguir seus NIEMs
apenas agitando varinhas e fazendo gestos teatrais... vocs esto  enganados. O
nvel intermedirio  o mais importante, onde vocs podem aprender TUDO que
precisam para chegar ao avanado, ou simplesmente chafurdar na lama da
mediocridade  e chegar aos NIEMs absolutamente despreparados. - por mais que eu
achasse que conhecia todas as expresses malvadas que o professor Snape sabia
fazer, nesse dia  eu estava surpreso. Isso, positivamente, era sinal que ele
estava realmente tramando a nossa morte, a minha pelo menos. - Vocs acham - ele
prosseguiu- que eu vou facilitar a vida de vocs? - (eu sabia que ele no iria,
claro) - Chegou a hora de realmente mostrarem algum tutano nesta  escola... e
no pensem que serei generoso na hora de julg-los - uma coisa eu sempre odiei
no professor Snape: ele fala cuspindo. Junto com esse julg-los saiu  uma
quantidade to grande de perdigotos que eu soube imadiatamente que ele passara
todo Feriado de Natal elaborando algo grande, difcil e mau para ns. Nesse
momento,  ele me enxergou, e deu incio a sesso de humilhao n1 da aula. At
que nesse dia ele demorou pra come-la.  - Qual a sua opinio, Senhor
Longbotton? O que o senhor acha que eu elaborei para a turma? - No tenho
opinio - eu disse, tentando me encrencar o menos possvel.  - Isso para ns no
 novidade - ele disse, com um ar decididamente divertido, e eu creio que
encolhi os 10 centmetros que crescera no ltimo ano. - A sua mente  
absolutamente obtusa, o senhor tem o crebro to... impermevel, eu diria, que
no se consegue extrair dele sequer o mnimo. At hoje eu penso em processar
criminalmente  o avaliador que deu ao senhor nota suficiente para permanecer
nesta turma depois dos NOMs. Imagino que o fato dele ser amigo de sua av tenha
influenciado seu julgamento.  Eu queria ter tido a oportunidade de efetuar uma
contra-avaliao pessoalmente, mas... misteriosamente as amostras do senhor
sumiram. O senhor entende, no?  Brilhante! Agora, alm de estar fazendo poes
absolutamente contra a minha vontade, eu descobria o dedo da minha av na minha
aprovao suspeita. Boa parte da  turma, aquela que correspondia  Sonserina em
maior nmero, estava estourando de rir. Harry, Rony e Hermione olhavam para mim
penalizados. Como eu sempre digo, s  por causa deles eu era quase feliz,
principalmente quando olhava a expresso de Hermione. Eu olhei para o professor,
para o seu sorriso sdico, e no disse nada.  O que adiantaria reagir? Eu era um
zero  esquerda mesmo... e, pior, ele tinha razo para reclamar. O que eu
poderia fazer? Nesse momento uma voz cortou o silncio:  Porque o senhor no
diz logo o que  a tarefa e deixa ele em paz? -   Grande Harry! Me defendeu e
fez a Grifinria perder 10 pontos. Claro que depois o culpado seria eu! Logo
depois que tirou os pontos, o professor, agora muito  mais bem humorado (em
cinco produtivos minutos de aula ele j tinha feito duas coisas que adorava: me
humilhar e ferrar a Grifinria atravs do Harry), resolveu  finalmente dizer o
que era a tarefa:  - Muito bem... est na hora de vocs deixarem para trs
toda essa sua pobreza intelectual! Eu farei algo por vocs que me agradecero
pelo resto de suas existncias!  Chegou a hora de abandonarem a simples cpia,
senhores. Ofereo a todos uma oportunidade NICA de sarem da mesmice de copiar
poes... a tarefa deste ano, no nvel  intermedirio, ser criar uma poo
nova. Uma poo com a identidade dos senhores... e no pensem que eu no saberei
se algum pegar uma poo alheia para modificar...  Quase toda turma explodiu em
perguntas. Hermione, por exemplo, parecia excitadssima, enquanto Rony e Harry
se olhavam com um ar to desolado quanto o meu. Mais  atrs, Draco fazia firula
dizendo que a poo dele seria melhor porque ele era sangue puro. S Crabbe e
Goyle pareciam ainda no ter entendido a tarefa. Quanto a  mim, estava no meu
estado de pnico habitual, um pouco maior porque sabia que daquele ano eu no
passava. Havia sobrevivido por milagre aos NOMs, e aos comensais  da morte. Mas
daquela tarefa de poes eu achava que no sairia vivo.  Eu estava me sentindo
completamente miservel pensando nisso quando uma luz apareceu no fim do tnel.
O professor pediu silncio  turma e prosseguiu: - Claro que eu sei que criar
uma poo do nada no  fcil... no  uma tarefa que se consiga sozinho. Alguns
de vocs - ele estava olhando para mim - com certeza  sozinhos poderiam explodir
o castelo inteiro tentando criar alguma coisa. Vocs vo trabalhar em duplas.
SIM! SIM! Eu estava salvo!!! Olhei esperanoso para Hermione. Ela era o meu par
natural, afinal, todo mundo sabia que Harry e Rony eram uma dupla. Hermione
andava  com eles, mas com certeza, faria dupla comigo! Foi quando eu senti uma
mo gelada sobre meu ombro. Claro, o velho professor Snape. Vocs acham que ele
permitiria  isso? - Voc no vai fazer para com a senhorita Granger, Longbotton
- disse o professor com um ar sdico. - essa  uma tarefa de integrao entre
casas... seu par vai  ser da Sonserina. Vamos ver se desta vez o senhor consegue
algo semelhante com o Acima das Expectativas que conseguiu nos NOMs na
avaliao final...  Creio que o professor Snape queria tornar realidade os
piores pesadelos da turma da Grifinria, especialmente os meus e os de Harry..
Nada mais explica isso. Aquela  noite, no salo comunal, era possvel sentir
pelo volume das nossas conversas que aquela troca podia ter sido desagradvel
para alguns da Sonserina, mas conseguira  ser terrivelmente massacrante para
todos na Grifinria. Bingo, ele conseguiu novamente - eu pensei - Nosso
amvel professor acabou com nosso semestre. Hermione  estava quase chorando: -
Vocs acham que eu vou conseguir alguma coisa trabalhando ao lado do Crabbe?
Ele... ele nem sabe contar at trs.  - Ah, t bom, Hermione - Rony disse
visivelmente mal-humorado - pelo menos voc se garante. Faz tudo sozinha e
pronto. E eu, que no sou grande coisa e ainda assim  vou fazer par com a besta
quadrada do Goyle? - Ningum est pior eu - disse Simmas, que sempre fazia par
com Dino - vocs conseguem se ver tendo que passar o semestre todo discutindo um
trabalho com o seqelado  do Zabini? ta - Ele no  nada melhor que o Malfoy -
disse Harry - eu sim, estou ferrado. Como se eu no tivesse problemas
suficientes para cuidar, ainda vou fazer par com  um cara que vive dizendo que
eu vou pagar pelo pai ter ido para cadeia por minha causa. Droga.  - Pelo
menos agora ele no pode dizer que o pai dele vai te ferrar - disse Rony rindo.
Harry no riu. Rony era o nico que ainda comentava com bom humor os fatos
relacionados ao episdio do fim do semestre, quando o padrinho do Harry morrera
por causa  da mesma mulher horrvel que havia acabado com a vida dos meus pais.
Eu permaneci calado e os outros voltaram a falar nas aulas de poes e no nosso
azar coletivo.  Gina se aproximou e ficou um bom tempo prestando ateno na
conversa ao lado do Dino, at perguntar para mim:  - E voc, Neville, com quem
vai ter que fazer dupla? ta - Eu tenho mesmo que dizer? - perguntei, num
estado de esprito terrvel. Todos olharam para mim, e Rony disse: - Coitado.
Ele vai fazer par com a Pansy Parkinson.  ta - Estou morto - eu disse -
imaginem como vai acabar esse semestre: minha av com certeza vai me mandar um
berrador dizendo que eu sou a vergonha da famlia.  Eu no tenho a mnima
chance. Mas a culpa  dela mesma. Se eu soubesse que ela tinha armado com o
examinador, eu pedia pessoalmente para o Professor Snape corrigir  a prova.
Antes isso que ter que atur-lo mais esse ano.
 -Neville, se voc quiser ser Auror, vai ter que ser bom em poes - disse
Hermione. - Acho que sua av...
 -Hermione, minha av decidiu que eu vou ser auror... mas nunca perguntou a
minha opinio sobre isso. Com certeza, se para ser auror vou ter que aturar
aquela chatinha  da Parkinson por um ano... ta - P, se voc quer a minha
opinio, antes ela que a Emlia Burlstode. - disse Rony   - Qual o problema
com a Emlia Burlstode? - perguntou Hermione ta - Voc deveria saber - riu
Rony - levou uma surra dela no segundo ano! Imagina o que ela faria com o Nev
aqui...Pelo menos a Pansy s tem um nariz de porquinho.  De resto  at
bonitinha.  - Essa foi podre, Rony - disse Harry. ta - Rony, que coisa
ridcula - disse Hermione - ser que voc s pensa na aparncia das garotas?  
- Qual , Mione, relaxa, eu estou s brincando! ta Hermione emburrou-se
definitivamente com Rony, e eu fui para o dormitrio. At que ele tinha razo:
Pansy no era mesmo uma aluna nota dez. Mas se a gente se  esforasse, quem sabe
conseguiria fazer alguma coisa, sei l, uma poo para o Trevo ficar roxo ou
coisa parecida. Era melhor deixar para pensar nisso quando estivesse  frente a
frente com ela, dois dias depois, numa das salas de pesquisa que o Professor
Snape tinha reservado para a turma. De repente ela no ia achar to ruim fazer
dupla comigo.  Eu estava enganado. 

PARTE 2 - PANSY

ta Conheo expresses de desprazer, sou especialista nelas. Minha av tem umas
trinta diferentes, dependo do tamanho da besteira que eu tenha feito. Portanto,
mesmo que quisesse disfarar, Pansy no conseguiria esconder de mim que
preferiria fazer par com o Trevo que comigo. Quando a encontrei na sala de
pesquisa, ela  me olhou de cima a baixo como se eu fosse feito de algo bem
nojento. tima forma de comear um relacionamento.  - Porque voc  meu par? -
ela disse - qualquer um na Grifinria  melhor que voc. - eu olhei para ela e
me lembrei do que Rony disse.  - Acho que sou mais sortudo que voc. Pelo menos
no precisei fazer par com Crabbe ou Goyle. Eles com certeza so piores at que
eu. - Puxa, at voc sabe disso? - ela respondeu sarcstica - acho que o titio
Snape fez essa tarefa para que eles no fossem reprovados... se bem que o Goyle
vai fazer  par com o Weasley... coitado. - Coitado  do Rony, isso sim - eu
protestei - imagina, voc fazer par com algum que  to burro que... - No
precisa descrever o tipo de experincia que eu vou ter, Longbotton. Eu fiquei
quieto. Olhei para ela. Ela estava me ofendendo. Ok, o Snape me ofendia todos os
dias. O Malfoy me ofendia vrias vezes (mas na verdade, ele queria era  ofender
o Harry por andar comigo). Mas eu no ia deixar que ela me ofendesse. Reagi com
a primeira coisa que me veio  mente. ta - Voc acha que eu estou muito
contente por fazer par com uma garota que tem um nariz de porco? ta At o mais
obtuso dos seres humanos, no caso, eu, pode saber quando toca na ferida aberta
de algum. A expresso de Pansy mudou de tal forma que eu me senti  mal. Foi
como se aquela mscara de indiferena superior tivesse se quebrado em mil
pedacinhos. Ela botou a mo sobre o nariz, e desviou o rosto para o outro lado,
evitando me olhar. Eu tentei dizer alguma coisa, mas nem eu nem ela conseguamos
sequer nos encarar. Ela no disse nada, s saiu correndo da sala de pesquisas.
ta Porque eu tinha que bancar o esperto? Isso no dava certo comigo e eu
sabia. L fui eu atrs dela, porque, afinal de contas, eu j tinha tudo contra
mim. No  ia acrescentar mais o detalhe da minha parceira de trabalho me
odiando. Eu a alcancei no fim do corredor, bem na virada para a masmorra. Ela
estava quase chorando.  - Desculpa! - eu disse.  ta Melhor no repetir aqui
o que ela respondeu. Eu a segurei para que no fugisse e disse: - Me desculpa,
Pansy. Eu no queria dizer que voc tem um nariz de porco - ela tentou se
desvencilhar furiosa, ainda com a mo no nariz - mas voc tambm no tinha  nada
que me tratar daquele jeito, pombas. Voc nem me conhece.  Ela parou de repente
e me olhou. Era verdade. Em cinco anos estudando juntos, no havamos trocado
mais que cinco palavras. E nenhuma delas fora gentil. Ela tirou  a mo do nariz,
ainda desconfiada.  ta - Vamos fazer a pesquisa - respondeu, me cortando.
Creio que ela achou melhor passar a conversa para um plano meramente de
trabalho. Melhor assim.  ta Voltamos para a sala. Nenhum dos dois trouxera
sequer um livro. Nem eu nem ela ramos exatamente brilhantes. Nenhum dos dois
imaginara um ponto de partida decente  para aquela pesquisa, isso era um fato.
Sentamos cada um num lado da mesa e ficamos ali, como dois idiotas, um sem olhar
na cara do outro. De repente, ela me perguntou:  - Eu tenho mesmo nariz de
porco?  ta Eu pensei por um instante. No era uma resposta fcil. Se eu
dissesse que ela tinha, com certeza ela iria me odiar. Se eu falasse que no,
estaria mentindo.  Se eu no dissesse nada... aaargh. Eu tinha que responder. 
- Hum... sabe a Emlia Burlstrode? - Hein? - Emlia, Sonserina. Sua amiga. -
Isso eu sei. O que ela tem a ver com o meu nariz? - Bom, o dela  bem mais feio
que o seu.  - Grande coisa. At o Crabble  mais bonito que ela.  - Droga. D
para a gente pular essa histria de nariz?  - Eu acho meu nariz horroroso.  ta
- Ok, eu concordo contigo, se  isso que voc quer! - eu disse. Essa histria de
nariz j tava enchendo o saco. Ela me deu um olhar feio e eu emendei -
Brincadeirinha,  brincadeirinha!  - Isso  um pesadelo. E o semestre est s
comeando. ta - Escute - eu disse - voc podia olhar para mim? - Pansy me
olhou. Ela no era mesmo feia. Eu me senti muito cretino por ter dito aquilo. -
Voc me acha bonito?  - De jeito nenhum. Voc tem cara de bolacha. - Pronto.
Estamos quites, no?  - Tem uma diferena. - Qual? - Voc no liga.  um
sujeito sem amor prprio.  - Quem disse que eu no tenho... amor prprio? ta -
 claro que no tem! Voc fica bajulando a Granger o tempo TODO.  bvio que ela
nunca vai querer nada contigo. - Grande coisa... nem a Emlia Bulrstrode vai
querer nada comigo! A Luna Lovegood no quer nada comigo! - 70Voc tentou
namorar a maluca? ta - No, p,  s um exemplo. E ela no  maluca... s tem
uma... personalidade excntrica.  - 70Ah, imagino...  - E perto da Emlia
Burlstrode, a Luna parece uma fada encantada! - Ela gosta do Goyle!  - A Luna?
Coitada! Ela  maluca, mas nunca achei que chegasse a tanto! - No, sua besta, a
Emlia!!!! ta - Srio? - eu devo ter feito uma cara muito estranha, porque ela
caiu na gargalhada. Logo ns dois estvamos rindo.  Devo dizer que no fizemos
pesquisa, e nem tivemos idia nenhuma naquele dia. Acabamos falando a tarde toda
dos outros. No, no falamos com falsidade. No disse  nada sobre o Harry, por
exemplo, que eu no pudesse falar na frente dele. Inclusive o defendi, quando
ela quis falar mal dele: - O Harry no  metido, nem seboso. Voc no o conhece.
No fale dele assim, ele  meu AMIGO. Voc s fala assim dele porque no o
conhece. Ele  um cara, sei l,  admirvel. Ele me ensinou a conjurar um
patrono. Voc entendeu? PA-TRO-NO! Depois das aulas de DA, no ano passado... 
69Aquilo foi um absurdo! Vocs deveriam ter sido expulsos!  Ah, sim, eu vi seu
esforo para isso!  Era a minha obrigao! Eu sou monitora! Eu e o Draco s
queramos...  Como voc pode adorar tanto aquela... coisa? ta - Quem te disse
isso? - Pansy arregalou os olhos, como se eu tivesse descoberto algo muito
secreto sobre ela.  -Precisa dizer? At eu j percebi isso... e olha que eu sou
um cara leeento, voc mesma disse isso ainda h pouco. -Mas... mas... - ela ps
a mo sobre o nariz.
 , eu sou lento mas vejo as coisas. Entendi logo o porqu daquela preocupao.
ta - Ele no gosta do seu nariz?  - No sei. Ah, Longbotton... o nosso
horrio de pesquisa acabou. - Pois ... e a gente no teve a mnima idia para o
projeto... - E da?  s a primeira reunio.  - E na prxima aula? O que a gente
vai dizer? O professor Snape me odeia, lembra? ta - Ento, esperteza, deixa
tudo comigo. Eu sou da Sonserina. Snape protege quem  da Sonserina. Eu falo com
ele. Ns dois sobrevivemos.  Por algum motivo, eu adorei esse raciocnio. Isso
significava me livrar do Snape! Eu tinha que dizer  Pansy que ela tivera a
melhor idia do dia. Mas no tive coragem.  Fiquei quieto, como sempre.  O meu
grande alvio na aula seguinte  que ningum estava mais avanado que ns.
Inclusive o Harry e o Malfoy haviam cado no tapa logo no primeiro encontro, que
acabou com a velha ameaa de morte da parte do Malfoy. Francamente, com o pai em
Azkaban, o que ele achava que podia fazer contra o Harry? Rony tinha dado um
jeito  de adiar seu primeiro encontro com o Goyle, e a Hermione parecia
positivamente deprimida: - Neville - ela me disse - aquele imbecil no sabe nem
fazer uma poo de tingir roupas! Como vamos criar algo juntos? T, eu jamais
direi a Hermione que nem desconfio como se faz uma poo de tingir roupas. Isso
me fez ver que, pelo menos, eu havia quase me entendido com meu par.  Na hora de
comentar o desemprenho da dupla, Pansy disse para o professor: - Nosso primeiro
encontro foi produtivo, Senhor Snape, mas ainda estamos pensando em algo
realmente original. O senhor sabe, esse tipo de idia no surge de uma  hora
para outra.  Claro, ele no se deixava enganar to facilmente. Era o velho
Snape, lembram? Se aproximou de mim e perguntou:   - E voc, senhor
Longbottom, o que diz? ta - Di-dizer? - eu me odeio quando gaguejo - eu.. er..
ela j disse tudo, no? - o professor me encarou com aquele brilho malvado l
bem no fundo dos olhos. E  disse, no disfarando o prprio sadismo: - Percebo
que o senhor quer se aproveitar da boa vontade da senhorita Parkinson, como se
aproveitava da Senhorita Granger... como se aproveitou das... amizades de  sua
av. - j disse a vocs o quanto eu adoro o Professor Snape quando ele resolve
ser o ser mais injusto deste mundo? - Pois bem, senhor Longbotton, eu estou
com os dois olhos atentos e pregados no senhor... esse  um trabalho em dupla.
No tente evit-lo. Nada vai poder salvar o senhor desta vez. Sua av no tem
poder  sobre o avaliador dessa vez! No fim da aula, ele se dirigiu  turma e
disse, de forma seca, que na prxima aula computaria o primeiro ponto de dez
possveis para a tarefa. Tnhamos que apresentar  uma idia inicial de poo,
caso contrrio, esse ponto s poderia ser recuperado com uma apresentao
brilhante que valesse um dez. A turma engoliu em seco. Essa  histria de duplas
pelo menos me fez um bem: agora o resto da turma estava to apavorado quanto eu.
Me sentia confortado por essa idia. Quando encontrei Pansy na sala de pesquisa,
levando alguns livros de herbologia, ela parecia bem mais receptiva que da
primeira vez. Ela precisava tanto de mim quanto  eu dela. Ficamos folheando
livros, e de vez em quando um falava alguma coisa, que o outro rechaava: - Por
que no fazemos algo com meu sapo? Podamos fazer uma poo para faz-lo arrotar
bolhas de sabo.  - Longbotton, por favor, no seja ridculo. - eu me calava.
Logo depois ela dizia: - E se a gente criasse uma poo para abrir feridas? ta
- Al? Voc tem certeza que conhece nosso querido professor? Ele experimentaria
uma coisa dessas na gente, ou melhor, em mim. E jogaria o antdoto fora! - Pansy
riu. Confesso que era muito legal ver uma garota rindo para mim, pela primeira
vez. T. A Luna s vezes ria para mim... mas a risada da Luna d um certo medo.
Eu  juro que vi gente rindo exatamente do mesmo jeito no St. Mungos. E Hermione,
a quem eu adoraria fazer rir, no costumava rir quando eu fazia esse tipo de
comentrio,  e sim me olhar expresso penalizada.   - Voc exagera,
Longbotton.  - Neville.  - H? - Voc pode me chamar de Neville, Pansy. - ela
riu. - T bom. Mas acho que voc dramatiza, sabia? Se faz de vtima. - Eu no!
ta - Faz sim! - ela disse - a sua cara de pnico  muito gozada! Mas voc fica
feliz: isso faz a Granger reparar em voc. ta Eu fiquei vermelho. Odeio ficar
vermelho. Porque meu rosto  redondo e eu sei que fico com uma cara de tomate
terrvel. Pansy riu muito.  ta - Pansy... eu no fao nada para Hermione
reparar em mim... ela  minha amiga. Pansy fez uma cara de desdm. - Voc queria
que ela gostasse de voc. Mas  claro, ela deve gostar do Potter, como todas as
garotas da sua casa. Nem bonito ele ! 
 -Ah, lindo  o Draco, n? Com aquela cara de macarro sem molho e o pai preso
em Azkaban. Imagina que graa o Draco vai ser quando crescer...ah, eu me
esqueo,  vocs, garotas, amam os Bad Boys... ta - Seu invejoso! O Draco ...
ta - Ele  um saco. O sujeito mais man que eu j conheci! Depois das aulas
de DA at EU bato ele num duelo!  - Isso no  verdade! ta - No? J viu
quem so os amigos dele? Pessoas que ele pode comprar. E quando o pai dele
estava por cima da carne-seca ele sempre fez questo de...  63Que droga! Por
que a gente tinha que cair junto nesse trabalho? Por qu? ta Subitamente
percebi que aquilo estava de novo caminhando para o desastre. Respirei fundo e
disse:  63Pansy, vamos combinar uma coisa? - eu puxei um pergaminho e escrevi:
  ightMalfoy -Granger -Potter-Weasley -Luna Luntica Lovegood

ta - Essas so as palavras banidas por aqui, o que acha? No vamos mais falar
disso, que tal? A gente sempre briga quando fala disso.  - Ok. Mas prometa no
falar que eu tenho nariz de porco. ta Nariz - acrescentei no pergaminho. Ela
ficou olhando pensativa. De repente seu rosto mudou. Quase enxerguei uma
lanterninha acendendo em cima de sua cabea.  Ela olhou pra mim, riu, e olhou
para o pergaminho dizendo:  - Como eu no pensei nisso antes!  perfeito!
Neville, voc  o mximo! - Eu? O que eu fiz?  ta - Voc me deu a idia,
olhe - ela me mostrou o pergaminho. Francamente, no vi nada demais escrito ali.
Olhei para ela tentando parecer que tinha percebido  algo, mas ela viu eu
simplesmente no havia captado nada.  - Neville, voc no percebeu nada? -
Hum... deveria? - Olha s. Porque voc acha que eu tenho nariz de porco? -
Herana de famlia? ta - No! Como voc  tapado! Eu tenho esse nariz horrvel
porque nunca pude consert-lo, oras!  - No?  ta - No! Se pudesse eu j
tinha mudado h sculos! Eu s poderia com um feitio, e isso s se pode fazer
depois que estamos formados  63Se feitio s depois da maioridade, porque
poderamos fazer uma poo? ta - A legislao permite poes modificantes
antes dos 17, contanto que feitas com superviso  63T... e porque voc nunca
usou uma poo?  ta - NEVILLE, SEU SURDO, EU DISSE QUE NO EXISTE POO PARA
ISSO!!!!!  63Aaah! Eu disse. - Pansy... essa idia  muito legal, ento.  D!
Seu lerdo, era isso que eu dizia.  T, tudo bem, a gente pode tentar comear
hoje - eu disse e puxei meu livro de Herbologia.  Voc tem alguma sugesto?  
Vamos ver que ervas podem tornar pele humana malevel...  Neville - ela me
disse - eu queria que voc lesse s uma coisa antes... - ela puxou um livro e
disse, orgulhosa: - Veja! Meu av o escreveu.  ta Eu olhei a capa. O nome era
Lies para quem quer fazer poes, por Ebenezer Parkinson  ta - Puxa, que
til, Pansy... seu av devia ser um gnio.
        - Ele era sim. Foi monitor da Sonserina e professor em Hogwarts. Ele
ensinava poes aqui na poca que o professor Snape era aluno. 
63Reconfortante.   Ah, abre na pgina 14. - eu abri e li, um texto pequeno, que
dizia o seguinte:

** ta A Poo perfeita sempre vai congregar quatro coisas: elementos
orgnicos (animais e/ou vegetais), elementos fsico-qumicos (gua, minerais,
fogo, choques  trmicos) e muita boa vontade e mtodo para sua elaborao. Mas,
para que a poo se torne uma poo e no meramente uma frmula ela dever
conter, essencialmente,  algum elemento mgico, seja sob a forma de ingrediente
ou mesmo encantamento. Caso contrrio, at os trouxas fariam poes. **

 63Eu nunca tinha pensado nisso dessa maneira.  Ningum tinha - disse Pansy,
com uma ponta de orgulho - s o meu av.   Bem... eu cuido dos tais elementos
orgnicos, e voc, vai pensando num jeito da gente colocar algo mgico que no
faa seu nariz ficar mais... - ela me  olhou de um jeito muito feio - mais
bonito que deve - eu disse, e o olhar dela no melhorou. - O que a gente tinha
que ter feito hoje, foi feito. Na prxima aula  a gente pelo menos garante o
primeiro pontinho!  Isso a - ela disse, confiante. ta Pela primeira vez, EU
tambm estava confiante. Mas,  claro, estava bem enganado. E desta vez, no era
nem culpa minha. Quando entrei na sala, havia um silncio  mortal, e o professor
Snape parecia muito absorvido, anotando algo num pergaminho. Era estranho isso,
porque pelo que eu soubesse, todo mundo tinha arrumado uma  idia para
apresentar. Mesmo Hermione e Rony, apesar de Crabbe e Goyle. Foi quando eu vi
que o professor havia escrito uma extensa lista de itens no quadro, sobre  a
qual havia um ttulo:

NO SERO ACEITAS POES QUE: Envolvam outras pessoas se apaixonando pelo autor
(poes de amor) Provoquem dor, medo ou mal estar Evitem caspa, seborria ou
outras dermatites Mudem a colorao de cabelos, mesmo para os tons mais exticos
Mudem a cor de plantas ou animais Faam quem a beber levitar Emagream ou
engordem instantaneamente Envolvam ingredientes tais como: sangue de drago,
unha de manticora, bico de hipogrifo, p de cauda de esfinge e outros cuja
arroba custe mais que 18 galees...


ta A lista continuava com muitos itens, e eu estava quase aliviado porque
nenhum deles parecia envolver narizes que parecem focinhos de porco. Foi quando
eu li  o ltimo item: ta ... Provoquem mudanas de aparncia em quem a tomar.

ta Essa no. Ele conseguira mais uma vez. Ele nos tirara, com uma simples
lista, o direito a conseguir o primeiro ponto do semestre. Devo admitir que ele
se superara.  Quando ele viu que a turma inteira j se encontrava presente,
disse: - Ento? Estou esperando a primeira dupla me apresentar a seu projeto de
poo.  O silncio o respondeu. Ele fez uma cara bastante sdica e disse: ta
- Ser possvel que toda uma turma, com tantas cabeas pensantes, no conseguiu
se livrar de todo tipo de idia MEDOCRE que envolve uma simples poo? Vamos
ver... Potter, o que voc e o senhor Malfoy haviam idealizado? - Harry suspirou.
Agora era a vez dele ser humilhado.   63Ns tnhamos imaginado uma poo para
tingir corujas - ele disse, olhando para baixo.    mesmo? Que coisa mais
interessante. E de que cor o senhor tingiria sua bela coruja branca?
Cor-de-rosa? Verde, para combinar com seus olhos? ta Em outras circunstncias,
os outros sonserinos estariam gargalhando. S que todos ns estvamos desta vez
no mesmo barco. Snape ia perguntando para todos que  eram da Grifnria o que a
dupla havia pensado, tendo o prazer de humilhar cada um de ns e sua idia. Foi
quando ele me viu: - Deixe-me pensar. Voc imaginou uma poo para extrair as
verrugas da pele do seu sapo. - No - sem gaguejar. Se soubesse que seria assim,
teria tido a idia de elaborar uma poo que me fizesse grande, forte e frio
suficiente para esmagar a cabea  do professor como uma noz. Ele parecia ignorar
meu olhar zangado e disse: - E qual foi, meu jovem, a brilhante idia que com
certeza a senhorita Parkinson teve e voc simplesmente acatou? - Pansy ps a mo
sobre o nariz e baixou os olhos,  e finalmente eu me toquei que no podia dizer
qual a finalidade da poo que havamos imaginado. Seria horrvel para ela.  -
Eu odeio minha cara grande e redonda - disse, sem pestanejar - Sugeri que
fizssemos algo para melhor-la, senhor! -  mesmo? Esta aula  para poes, meu
jovem. No para milagres - ele disse, tornando  sua mesa. O resto da aula foi a
tortura de sempre. A turma comearia inteira com um ponto a menos; e s se
recuperariam as duplas que fizessem algo realmente interessante  para
apresentar. Ele aproveitou para dizer que no queria mais saber que tipo de
poes cada dupla faria. Aquela Mise-em-scne toda fora s para dizer quais as
poes que no deveramos escolher, mediante  uma punio, e de forma mais
injusta possvel, claro. Quando nos encontramos de novo, Pansy e eu discutimos
feio.   - Por que voc falou aquilo? - ela gritou ta - Porque voc estava
com a mo no nariz, eu no queria dizer para a turma toda que voc odiava esse
seu nariz de porco, oras!   - Ah, ? E tinha que dizer que a idia tinha sido
sua. ta - Que diferena faz? Ele achava a idia pssima do mesmo jeito!
Agradea, ele te acha menos medocre graas a mim!  - Eu no sou medocre!
ta - No  isso que eu estou falando. Olha - eu estava furioso, e no sabia
que podia ficar assim - eu queria muito fazer esse trabalho com a Mione, sabia?
Ela  sim  minha amiga, e com certeza no  filha de algum seguidor do
Voc-Sabe-Quem, como todo mundo da Sonserina... -Pansy parou e ficou plida.  
63Do que voc me chamou?   Eu... eu... ta - Longbottom, que espcie de idiota
voc ? Voc sabe REALMENTE sobre o que est falando? Eu... eu.... ah, que
droga! Sim, meu pai foi um seguidor de Voc-sabe-Quem...  e ele desapareceu no
final do semestre passado, logo depois que o Ministrio admitiu a volta... dele.
Ele achava que a volta do Lord das Trevas ia melhorar as coisas  para os bruxos
de verdade. Cresci ouvindo isso dentro de casa. Ento puf! Minha me agora no
sabe se ele est vivo ou morto, e no tem com quem falar, porque  se ela for
conversar com algum do Ministrio... bem, eles vo achar que ela tambm 
assim, o que no  verdade. Ela sempre foi contra, e eu cresci com os dois
brigando por causa disso... Se quer saber, meu pai j foi TARDE. Espero mesmo 
que ele no aparea nunca mais, mesmo que tenha ouvir daqueles que sempre chamei
de amigos que meu pai deve ter feito alguma coisa errada, ou o mestre no
daria um sumio nele. As ltimas palavras foram cortadas por soluos e lgrimas.
Ela saiu correndo e me deixou ali. O que eu podia fazer, me digam? Eu nunca
pensei que, alm de fazerem  os outros sofrerem, Comensais da Morte pudesse
fazer as suas famlias sofrerem ainda mais. Acreditei que ela me odiaria para
sempre. Quase pensei em fugir de Hogwarts.  Quem sabe um navio trouxa quisesse
um ajudante? Eu ainda podia tentar estudar numa escola trouxa, fazer um curso de
mecnica por correspondncia...enfim, pensamentos  nada bonitos danavam na
minha mente, porque eu achava que estava totalmente ferrado, agora que nem
parceira eu tinha. 

PARTE 3 - A PENSEIRA

ta Passou uma semana sem que ela falasse comigo. No dia do encontro seguinte,
eu fui, achando que ela no estaria l, mas ela estava, novamente sem livros, s
com uma conchinha musical grudada ao ouvido.  Vocs j viram uma conchinha
musical? Eu sempre quis ter uma, mas minha av dizia que eu j era distrado o
suficiente.  um artefato mgico feito com uma dessas  conchas que serve para
trouxas ouvirem o mar. L dentro h um fragmento pedra-de-gravar, que pode
acumular mais de mil msicas. Pansy, obviamente, levara a dela  para no falar
comigo. Eu fiquei um tempo sentado diante dela, que cantarolava (muito
desafinada) msicas que s ela podia ouvir. Aquilo foi me enchendo.  Comecei a
fazer caretas para ela. Sou bom em fazer caretas (t, isso no deveria ser um
talento confessvel), e ela olhou para todos os lados antes de finalmente  cair
na gargalhada. Eu aproveitei para tirar a concha do ouvido dela, e um verso
solto saiu dela, com um acompanhamento de piano:

If I was a sculptor, but then again, no Or a man who makes potions in a
travelling show (se eu fosse um escultor, ou antes  um homem que faz poes em
um show itinerante)

 -Um homem que faz poes? - eu perguntei - estava fazendo alguma pesquisa de
campo?
 -Por que voc no some, Neville? - ela disse, tentando pegar a conchinha da
minha mo. Eu a suspendi acima da cabea e disse -  - S se voc me ouvir. - No
quero! - ela disse, tentando pegar a concha. - Pansy... me desculpa, de novo. -
Voc vive falando besteira e pedindo desculpa, Longbottom. Devolva minha concha.
- Eu realmente falei besteira. Me perdoe. So as coisas que se diz por a, oras.
 Ela parou e me olhou, sria.  - Eu estou cansada das coisas que dizem por a.
Toda minha famlia, por muitos anos, foi da Sonserina. Ningum seguiu bruxos das
trevas, s o meu pai. Isso   idiota. Meu tio ngelo era auror, nunca teve o
reconhecimento que merecia, porque havia sado da Sonserina. Ele precisou morrer
para ganhar uma ordem do Merlim... - Meu pai ganhou uma tambm, e ele nunca
olhou para ela. Ele tambm era auror, Pansy. E hoje est no St. Mungos, e nunca
me disse um oi. Eu o visito todos os veres,  e desde pequeno ouo minha av
dizer que um dia ele vai acordar, sair do delrio em que as torturas dos
comensais o puseram. Ela fala a mesma coisa sobre a minha  me, mas se voc quer
saber, eu perdi a esperana que isso acontea j faz muito tempo. E isso tudo
foi por causa do Voc-Sabe-Quem, que dizia ser o herdeiro de  Slytherin. Veja
bem, eu nunca tive motivos para confiar na sua casa.  Pronto. Eu havia contado.
Havia dito para Pansy o que eu jamais tivera coragem de dizer para os meus
amigos, nem mesmo para Hermione. A lembrana da forma como eles  haviam
descoberto tudo ainda doa. Ela me olhava com uma cara absolutamente atnita, e
sentou-se, como se eu tivesse dado um tapa na sua cara. Eu sentei de frente
para ela, e entrguei-lhe a concha em silncio. Estava virando uma rotina
incmoda isso de um acusar o outro e acabar fazendo uma revelao dolorosa. Ela
pegou a  concha, mas no a colocou no ouvido. Apenas disse uma palavra mgica e
a concha silenciou-se.   - Desculpa, Neville.  - Tudo bem - eu falei. J
estava arrependido de ter contado tudo. Por algum motivo, no queria que ela
sentisse pena de mim. -eu s queria que voc visse porque  eu falei aquela
besteira para voc. - Eu entendi. O que muita gente no entende  que no 
porque ns somos da Sonserina que vamos sair aderindo a qualquer idiota que
disser que vai dominar o mundo.  Meu av me dizia, antes de morrer, que eu nunca
fosse o que se esperava de mim apenas porque era o esperado. Acho que meu pai
seguiu isso  risca. Meu av nunca  achou que o Voc-Sabe-Quem estivesse certo.
Eu acho que agora entendo porque voc pensa assim... e no  culpa sua. Mais um
silncio constrangedor se seguiu. J havamos desperdiado dois encontros
brigando, e nada de descobrir uma boa idia, que virasse uma poo decente. E
aquele  encontro parecia estar indo para o mesmo caminho. Pansy rolava a
conchinha sobre a mesa, pensativa, como se no estivesse com muita vontade de
comentar o assunto.  Eu perguntei: - Que msica era aquela que voc estava
ouvindo? - Ah...  uma msica de trouxas, minha me tem um toca discos, ela
gosta disso, embora pai sempre tenha achado isso idiota. Ela tinha um disco l
que tinha essa  msica, eu sempre gostei dela. Eu bem que tento cant-la... mas
sei que eu no canto nada bem. - Ah, fique feliz... eu tambm sou pssimo com...
Uma vez algum me disse que telepatia era possvel. Eu sempre tentei descobrir o
que o Trevo pensava, para comear num nvel mais primitivo, mas jamais cheguei
sequer  perto de ser um telepata. S que naquele instante, no instante em que me
ocorreu uma idia, quando eu olhei para Pansy, eu percebi que ela e eu havamos
de alguma  forma feito algum tipo de telepatia, porque tivemos a mesma idia.
Ela comeou: - Ns podamos... - Sim, ns podamos sim!  uma tima idia! E no
est na lista das ideias medocres...  Exato... ei, espera. Eu te falei o que
eu pensei?  - No, mas eu sei. Tive a mesma idia: no  uma poo para cantar
de forma afinada?  Exatamente! Mas... de qual de ns dois foi a idia?  -
Isso tem importncia?  uma idia nossa, Pansy, e ele no vai poder chamar de
medocre... - subitamente me ocorreu uma coisa - ser que a gente pode adicionar
alguma coisa contra timidez nesse troo? Sei l, acho que mesmo com a mais
eficiente poo eu jamais cantaria para a turma toda. No sem ficar vermelho e
ridculo  como um tomate gigante... Ela riu. Uma coisa  tima em se discutir
uma idia com uma pessoa: o assunto no acaba, quando a idia  dos dois.
Comeamos a falar na nossa poo naquele mesmo  minuto, e falamos nela por
vrias semanas, e, era incrvel que, apesar disso, eu estava conseguindo
conciliar tudo com as outras matrias. Talvez porque eu estivesse  achando que
tinha chances de passar em poes, que era sempre a minha pior nota, as outras
no pareciam agora to complicadas. E a histria da poo estava me ajudando  em
Herbologia, a nica matria onde eu j tirara uma nota mxima na vida. Madame
Sprout estava encantada com meu interesse: - Mas a senhora ento tem certeza que
a Malva-das-Montanhas pode ajudar a obter uma voz mais clara e cristalina? - Com
certeza, meu querido! E se combinada com a menta chilena e o edelweiss vai lhe
dar uma ajuda tambm nos brnquios.  E a sara sagrada, professora, pode mesmo
ajudar a combater a timidez?  A nossa poo j estava bem avanada nos
quesitos orgnicos, fsicos e qumicos. Mas se fosse s isso, seria no mximo
uma garrafada para deixar a pessoa com  a garganta limpa e mais animadinho.
Faltava o tal ingrediente mgico, o que faria realmente qualquer um (at a
professora Sibila, por exemplo, com sua voz de formiga)  cantar como se tivesse
nascido para aquilo. Isso requer magia. Para vozes maravilhosas como a minha e
a de Pansy, MUITA MAGIA. J havamos trabalhado muito duro, bastante mesmo, e
pouco havamos conseguido alm de um ralo caldo roxo-esverdeado que Pansy
remexia desanimada. 
 - Temos que colocar alguma coisa nisso, e eu no sei o que .  - Eu no sei
tambm... o que voc conseguiu com aquele livro sobre capturar sentimentos?
 - Muito pouco. Enganao, tinha que ser, o prefcio era do professor Lockhart.
 - Devamos ter desconfiado - eu disse, desanimado. - Mas o que a gente vai
colocar a? O que faz uma pessoa cantar bem? - Sei l. Deve ser talento...
emoo. Essas coisas. - Nada disso se engarrafa - eu falei desanimado e Pansy
riu. Eu olhei para ela. Foi ento que eu notei que havia algo diferente. Bem
diferente. Sei l ela parecia  mais bonita, apesar de... - Pansy, o que voc fez
com o seu nariz? - ela ps a mo no nariz, sem graa e no disse nada. - eu no
acredito - eu ri - voc conseguiu fazer a poo??? - Shhhh! Fiz nada - ela
falou, em voz baixa - o mximo que eu consegui com a poo que eu fiz foi
transformar meu nariz numa couve flor!!! Pelo menos serviu para  eu no achar o
meu nariz de antes to horrvel.  - Srio? Que coisa! Voc deveria conhecer uma
moa que eu conheo, a Tonks. Ela  metamorfomaga, uma das brincadeiras
favoritas dela  fazer o nariz parecer uma  couve-flor... Mas, pera. Seu nariz
no est NADA parecido com uma couve flor. - Eu sei - ela deu uma risadinha -
olha o que aconteceu: eu passei a poo no nariz ontem  noite, e fiquei
desesperada com o resultado. A eu fui l na madame Pomfrey  para que ela
desfizesse a coisa... s que me ocorreu uma idia - ela falou com o ar mais
inocente do mundo.
 - E voc fez que ela melhorasse o seu nariz... ficou bom.  - Srio? Voc acha
que o Draco vai gostar? Ah. O Malfoy, ainda ele.  - Pelo amor de Deus... voc
mudou o nariz por causa daquele boc? - Ele no  boc!  - Al??? Terra
chamando Pansy... o pai do Draco est em Azkaban... isso no te diz nada?
 - Ah, t. Quem disse que s por isso o Draco tambm vai ser Comensal da Morte?
- Imagina... ele s ameaou o Harry de morte.  um amor de criatura...   -
Oras, pode ter sido da boca para fora... o Draco pode ter dito isso porque
afinal o pai dele est em... - T BOM! - eu disse - o que importa para mim  que
voc pare de ficar botando a mo no nariz e dizendo que tem um nariz horrvel e
blablabla...
 - Eu no fao isso! - No? Onde est sua mo agora?  Ela tirou a mo do nariz
rapidinho, e ficou mais vermelha que um pimento. Resolvi deixar para l.. Pansy
era uma menina legal, merecia ser feliz, ainda que fosse  com o pateta do
Malfoy. Quando a reunio acabou, eu disse:
 - Voc vai fazer o que, agora?  - Vou para o salo comunal, tenho que estudar
transformao. Voc j conseguiu o negcio de transfigurar uma toupeira numa
guia? - No. Uma toupeira com penas pelo menos ainda  melhor que nada, e foi
tudo que eu consegui at agora. Mas na minha turma...
 - S a Granger conseguiu. - Como voc sabe?  - Novidade... ela sempre consegue
em primeiro lugar. - Claro, ela  a melhor daqui e... - Ah, Neville, me poupe.
- Essa raiva  s porque ela  diferente de voc. - Exato. Eu sou normal. Ela 
uma obcecada.  - Pansy, lembra das palavras proibidas? Vamos continuar
deixando elas onde esto, ok? Fomos cada um para um lado. E pouco nos falamos no
dias seguintes. No fim de semana, Harry me chamou para ver ele e Rony treinando
quadribol. Rony agora era o goleiro  e capito. O time conversara, e chegara a
concluso que ele era o mais indicado. Gina era artilheira, junto com mais uma
menina da turma dela e Kate Bell, que estava  no stimo ano. Kirke e Sloper, os
batedores, ainda eram uma desgraa, o que fazia a gente ter uma tremenda saudade
dos irmos do Rony. Pelo menos ainda tnhamos  o Harry para salvar a ptria, e o
Rony, que era agora quase to raudo e obcecado por um bom desempenho quanto o
Olvio. Eu e Mione ficamos l, olhando para eles.  Eu estava quieto.
Simplesmente no conseguia falar nada decente na frente dela. Nada como: Hey,
Mione, voc est linda hoje. Ela s tinha olhos para Harry e Rony.  De repente,
me perguntou:
 - Neville, voc acha que o Rony  um bom goleiro?  - Eu? Bem, eu acho que
sim, afinal, ano passado ganhamos por causa dele. Gina ajudou, mas ele foi
demais contra a Corvinal 
 - Mas... no adianta muito ele ser bom, no? O time depende do Harry.  - Mais
ou menos... quando ele era... hum... no to bom... mas esse ano ele est bem
melhor, Mione. E  MUITO MELHOR que esses batedores. Eles sim, tinham que  sair
amanh do time...
 - Por esse ngulo...   - Mas  verdade que o Harry voa muito bem.  como se
ele tivesse nascido para isso.  -  mesmo. Isso  verdade. As pessoas s vezes
tem um talento especial, que ningum ensina, como ningum ensina um pssaro a
voar. 
 Subitamente, tive uma idia.  - Mione, existe algum feitio que possa ajudar
a transformar um determinado talento em... bem, h um jeito de se... engarrafar
um pouco de algum talento?
 - Voc diz roubar o talento de algum? - No. No  isso. Eu digo, sei l,
transformar o talento em algo que se possa...   - Bom, se voc pegar uma
penseira, teoricamente, pode segurar um momento em que essa pessoa faz algo de
bom. Mas vai ser sempre a sua impresso.
 - Uma penseira, ? Acho que vou pedir uma para a minha av!  Se Hermione me
disse mais alguma coisa, eu no ouvi. Talvez, pelo que eu j estudara, a
resposta estivesse numa penseira. Eu tinha que achar Pansy para contar  isso
para ela, o problema  que ela, quela hora, devia estar no salo comunal da
Sonserina, que eu sequer sabia onde ficava. Era melhor perguntar para algum de
l, e pedir para cham-la. O jantar ainda estava muito longe, queria falar sobre
aquilo logo.  S que, infelizmente, a primeira pessoa que eu achei foi o Draco.
No queria pedir nada a ele. Mas ao mesmo tempo, no queria deixar de falar com
ela. Ele estava  sem os dois panaces que o seguiam para todo lado. As mulas
haviam sido postas em deteno pelo novo professor de Defesa Contras as Artes
das Trevas, Kingsley Schacklebolt  Ele ficava menos folgado sem eles por perto.
Eu me aproximei:
 - Com licena. Voc sabe onde est a Pansy? - ele me olhou com cara de desdm.
- Ah... est procurando a sua namoradinha?   - Voc no sabe, n? Deixa para
l. - eu virei as costas para ele. Tinha sido uma m idia. - Eu sei onde ela
est - ele disse, quase triunfante - no quarto dela, chorando. - eu me virei
rapidamente, revoltado. Se Pansy estava chorando, ele com certeza  era o
culpado.
 - O que voc fez, Malfoy?  - Eu?- ele perguntou cinicamente - nada. Apenas
soube que ela tinha consertado o nariz. E disse que era uma pena que o resto no
tivesse salvao. Juro para vocs que eu gostaria muito de ser um cara corajoso,
colar a cara dele na parede e bater tanto que ele precisasse tomar um vidro e
meio de esquelecresce  para consertar o estrago! Mas eu sou eu, lembram? Mesmo
sendo maior (e um tanto mais largo) que Draco, s pude engolir minha raiva e
sair de perto dele. Jurei para  mim mesmo que se Pansy falasse nele mais uma
vez, eu nunca mais falaria com ela. S que ela no falou. Naquela noite, depois
do jantar, parei-a no corredor e falei sobre a penseira. Nem precisei pedir para
a minha av comprar uma! Pansy mesmo  mandou uma coruja para a me, explicando
tudo. Ela tentou parecer animada, mas eu vi que ela, no fundo, estava mal.
Tambm, no devia estar sendo um bom ano para  ela: seu pai desaparecido e todos
os amigos da Sonserina se afastando. S que eu no ia piorar as coisas contando
o que o Malfoy tinha me dito. Eu posso ser, como  diz o professor Snape, uma
pessoa obtusa, mas tenho um pouco de simancol.  Quando a penseira chegou por
uma coruja, Pansy estava quase bem. Junto dela havia um frasco com um lquido
perolado, nunca maculado por pensamentos, que deveria  ser colocado dentro da
penseira. Meu raciocnio era que, uma vez cheio de coisas inspiradoras, esse
lquido poderia ser adicionado  poo. Chegamos  concluso  que, se
colocssemos ali nossas melhores impresses, poderamos chegar  inspirao
lquida que queramos.  - Como vamos fazer isso? Digo, como vamos ter
pensamentos legais e felizes para encher isso tudo de inspirao? - eu
perguntei. - Oras... vamos fazer coisas legais juntos! - ela disse - a gente
pode se encontrar todos os dias e ouvir msicas, podemos pegar as tardes livres
e passear perto  do lago... depois a gente coloca isso na penseira. - Se a gente
ver um pssaro bem legal cantando, pode colocar tambm.  - Boa idia - ela
disse, sorrindo para mim, e, por um segundo, eu pensei que o Malfoy  que era um
obtuso. Um sorriso daqueles no podia nunca ser chamado de resto.  Eu peguei
depois a lembrana do sorriso e pus na penseira quando ela no estava olhando.
Quando ela me perguntou o que eu colocara na penseira antes dela, eu descoversei
e disse que ela podia colocar pensamentos legais dela tambm, se quisesse, sem
eu saber.
  ***

ta O tempo passou, o semestre estava chegando ao fim. Abandonamos metade da
frmula da nossa poo original, tiramos muita coisa que depois se mostrou
desnecessria,  e ficamos muito, muito tempo juntos. Passeamos pelo lago,
ouvimos msica, conversamos sobre livros, sobre nossos amigos, nos tornamos algo
que s encontrei a palavra  para definir muito tempo depois: cmplices. Eu
confesso que coloquei uns pensamentozinhos sobre a Mione na penseira tambm, mas
depois, sabe-se l porque, eu catei um por um e joguei fora. Aproveitei para
descartar uma imagem ridcula do Malfoy sorrindo que eu achei l dentro. Se era
para me inspirar, ele definitivamente no serviria. 
        Quando foi marcada a ltima visita do ano a Hogsmeade, vibramos!
Poderamos ficar muito tempo juntos e fazer muitas coisas legais. E, confesso,
achei que  uns doces da dedosdemel seriam tima inspirao para o projeto. Na
vspera da visita, ns nos vimos depois do jantar. Pansy agora no tinha mais
nem um tiquinho  daquela tristeza que eu vira no dia da cretinice que o Malfoy
fizera com ela. Estava at bonitinha, eu achei. Alis, ela estava mesmo MUITO
bonita, pelo menos para  mim. ta - Acho que com o que vamos pegar amanh,
vamos acabar de encher a penseira! - ela disse. - Bem, as ervas esto cozinhando
bem, l na sala de estudos - eu disse - acho que a poo vai dar certo, mas de
repente a gente vai mesmo  ter que test-la. No  vai ser legal apresentar algo
que nos faa passar vergonha... - No vamos passar vergonha, Nev - ela disse.  -
O qu?  - H? - Voc me chamou de Nev? - Chamei, por qu? - S os meus amigos
me chamam assim.  ta - ... - ela deu um passo a frente e me abraou pela
cintura, fechou os olhos, e me apertou bem forte. - o que voc acha disso? -
completou. No sei muito bem o que pensei. Mas joguei na penseira assim que tive
oportunidade, e foi impressionante como o que estava l dentro se agitou. O dia
seguinte amanheceu  to bonito, que eu tive certeza que tudo daria certo. Deve
ser proibido por alguma lei oculta do universo ter problemas em uma manh de
sbado como aquela.  Um passarinho cantando. Um sorriso dela. Hum... sorvete!!!
Balas da dedosdemel!!!! Outro sorriso. Espuma de cerveja amanteigada...
Advinhem... outro sorriso.  A penseira estava quase transbordando de pensamentos
legais, e ainda assim, toda hora um dos dois colocava alguma coisa l. Estvamos
no divertindo tanto. Nem me  toquei quando Hemione chegou perto de mim e
perguntou: - 68Neville, voc viu o Harry e o Rony? - No. A ltima vez que os
vi, eles estavam com voc.  ta -Ok... - ela saiu correndo e sumiu no meio da
multido de alunos. Depois, bastante tempo depois, eu me lembrei que nessa hora
eu vi um cara estranho e encapuzado  subindo uma colina, e ele parecia estar
carregando um embrulho muito grande. Mas eu no liguei, tinha mais o que fazer.
ta Eram duas da tarde e faltava uma hora para o fim da visita quando eu e
Pansy fomos abordados pela professora Mc Gonnagal, que parecia em pnico. Ela
no disse  o que era, mas disse que todos os alunos deviam voltar para o castelo
imediatamente. Um pressentimento ruim me assaltou. Eu me lembrei de Hermione
perguntando sobre  Harry e Rony imediatamente, e comecei a procurar o rosto dos
trs na multido. Pedi que Pansy embrulhasse e penseira e fosse na frente, e
corri para o lugar onde  achava que tinha visto Mione pela ultima vez. S que
quem me achou foi o professor Snape. ta - Vamos, meu jovem. - ele me empurrou
e havia algo na sua voz que me alarmava. Ele nunca me tratara bem ou me chamara
de meu jovem.  - O que aconteceu, professor? - No posso falar. No castelo
voc vai ser informado. ta - Eu j sei. Harry e Rony desapareceram, no foi? -
o professor me olhou calado - foi ou no isso?  - No queremos ningum em
pnico, senhor Longbotton. Sabe de alguma coisa? - Eu vi Hermione procurando os
dois. Me diga, eles desapareceram? - No s eles. A senhorita Granger tambm, e
mais um aluno. - Outro aluno? ta - Draco Malfoy - disse Snape, e, no sei
exatamente porque, nesse instante eu soube que a coisa realmente era sria.

PARTE 4 - TER ALGUM PARA CONVERSAR

        Eu vivi muitas noites estranhas, terrveis, aterrorizantes. Falando
srio, meu perodo escolar no foi muito normal. Um monstro no segundo ano,
dementadores  durante todo o terceiro ano (Diziam que eles tornavam a escola
segura. Sinceramente, no sei como!), aquele papo no final do quarto ano que
garantia que aquele que  no deve ser nomeado havia voltado. Depois um ano
INTEIRO com a Professora Umbridge por perto dizendo que isso no era verdade, um
passeio nas costas de uma trestlia  e a constatao que no s ele havia
voltado, mas estava disposto a matar. Eu ainda tinha na minha cabea, por mais
que quisesse esquec-la, a risada horrvel de  Bellatrix Lestrange quando matara
o padrinho do Harry. Pois bem, nada disso se compara  noite do desaparecimento
de Harry, Mione, Rony e Draco. 
        O professor Snape me levou at o professor Dumbledore que me perguntou
se eu tinha visto algo suspeito em relao a Mione, e eu disse que no, no com
ela.  O nosso professor novo de Defesa contra as artes das Trevas, Kingsley
Shaclebolt, estava l tambm. Depois eu disse que tinha visto o tal sujeito e
ele trocou um  olhar estranho com o Professor Snape e disse a Dumbledore que
podia no ser algum comensal, mas ele achava isso muito pouco provvel. Quando
eles me disseram que  eu estava livre para ir, fiquei aliviado. Mas esse alvio
foi se tornando cada vez mais ralo quando notei a presena de alguns aurores,
que estavam circulando pela  escola.
        Logo depois, eu vi a me de Draco chegar gritando que o diretor no
passaria mais nem uma noite naquela escola se seu filho no aparecesse. Ela
passou por  mim e creio que ia direto  sala de Dumbledore. Isso me fez pensar:
Lcio Malfoy estava em Azkaban por causa do Vocs-sabem-quem. Ser que Draco
havia sequestrado  os outros? Era estranho. Minha razo se recusava a acreditar
que ele sozinho pudesse sequestrar Harry, Rony e Hermione, ainda mais depois das
aulas de DA. Eles saberiam  se defender muito bem sozinhos. Os pais da Mione,
que passaram por mim, e os pais do Rony tambm apareceram, com um dos irmos
mais velhos dele. Pelo jeito, s no  havia ningum da famlia do Harry. Lembrei
do fim do semestre passado, e me ocorreu que ele no tinha mais ningum, s os
tais parentes trouxas, que deviam estar  doidos para se livrar dele. Isso no
melhorou em nada meu estado de esprito. 
        Eu estava pensando nisso, quando pensei que os meus melhores amigos
podiam estar mortos. Eu tinha mais amigos em Hogwarts, mas Mione, Harry e Rony
sempre  tinham estado por perto. Eu comecei a imaginar que eu podia nunca mais
ver nenhum dos trs. Pensar em nunca mais ter a Mione por perto era
aterrorizador, e o que  mais me assustava, era que parecia perfeitamente
possvel. E eu no tinha a coragem de Harry para chamar Trestlias e pedir que
voassem at onde eles estavam. 
        Tudo havia acontecido com eles, sempre. Por acaso, no ano anterior, tudo
acabara mais ou menos bem, mas no era difcil pensar no pior. Eu fui me
sentindo  mal, e cada vez pior. Se pelo menos eu tivesse prestado ateno...
podia ter ajudado, eu no era to ruim assim nos feitios de defesa. Eu no
queria chorar, mas  sabia que era o que ia acabar acontecendo. Corri na direo
do salo comunal, precisava me esconder, no queria que ningum me visse assim.
Quando eu cheguei no  retrato da mulher gorda, havia algum sentado no cho em
frente  entrada. Era Pansy. Eu havia me esquecido completamente dela. Tentei
disfarar e disse: - 68Como voc sabia que onde  a entrada para a Grifinria? -
O professor Snape me disse. Eu disse a ele que precisava saber como voc
estava... eu sinto muito.  ta No sei o que me deu, mas eu comecei a chorar,
ali, de p, na frente de Pansy. Ela tinha razo, eu no tinha amor prprio
mesmo. Aquilo era horrvel, e eu no  conseguia parar. Subitamente, eu me senti
aliviado, e olhei para ela. Pansy estava jogando o meu pensamento ruim na
penseira e eu fiquei atnito.
 -Porque voc fez isso? - Porque estava te fazendo mal.   - Mas... mas... e o
nosso projeto? ta - Depois a gente d um jeito, Neville. Agora voc tem que
descansar... seus amigos sumiram, e  comigo que voc vai ter que se virar at
eles aparecerem.  Eu no sabia o que dizer, ento, fiquei quieto.  - Pansy, o
Draco tambm sumiu. ta - Eu sei. Vamos torcer para eles estarem bem, porque
por aqui a coisa vai ficar feia.  - Hein? ta - Enquanto voc estava l
falando com o professor Dumbledore, aconteceu a maior confuso, as pessoas
estavam escrevendo para suas casas, parece que todos agora  resolveram entrar em
pnico.  - Como assim? ta - Pensa bem... Cedrico Diggori j morreu, e todos
sabem que ele voltou E acho que o fato do Draco tambm ter sumido... - Entendi
tudo. Acham que eles podem estar... hum... recrutando estudantes? E o que voc
acha?  - Eu no vou embora. Se nem aqui estivermos seguros, imagine o que vai
acontecer quando sairmos daqui? E eu sou da Sonserina, e ainda assim ningum me
disse: jovem,  voc tem pela frente uma promissora carreira nos Comensais da
Morte. Isso para mim  mentira! - Se voc fica, eu fico - eu disse. - agora
estou me sentindo melhor, obrigada. Pode tirar esse pensamento da e jogar fora?
- No, Nev. A gente nunca sabe se ele vai ser ou no til. - ela se levantou,
pegou a penseira que tinha deixado no cho. Te vejo depois. - ela chegou a dar
as costas  pra mim e ento se voltou e disse - eles vo aparecer. No pense no
pior, t?  - T.  ta Ento, ela me deu um beijo no rosto e eu fiquei
muito... bestificado. Nunca tinha ganho um beijo de uma menina, pelo menos que
eu me lembrasse. Quer dizer,  minha prima Anna sempre me dava um beijo no meu
aniversrio, mas porque a tia Rose a obrigava falando: vamos, d um beijo no
seu primo, Anna. Eu no soube muito  bem o que isso queria dizer, mas lamentei
que ela tivesse carregado a penseira. Era uma coisa que eu queria colocar l,
com certeza. No dia seguinte, as coisas pareciam mais calmas, mas quem conhecia
pelo menos um pouquinho da histria, como eu e Gina, por exemplo, sabia que,
mais uma vez, algum  havia feito algo muito estpido com Hogwarts. Haviam
simplesmente afastado Dumbledore. Vocs acham isso pouco? Quem estava sentado na
cadeira de diretor era ningum  mais, ningum menos, que o professor Snape. Nada
foi dito. Nada foi explicado. Apenas que a escola continuava normalmente.. Logo
depois do caf, Gina me procurou e disse que o professor Snape pedira para ns
dois falarmos com ele.
 -Queria explicar aos dois que no queria que o professor Dumbledore fosse
retirado daqui. Mas eu no podia deixar qualquer um assumir Hogwarts. Ano
passado eles  colocaram aquela estpida da Umbridge aqui... mas agora eles tem
que acatar os nossos termos. Dumbledore pediu que eu assumisse, e eu assumi. A
Professora McGonnagall  no ficou como suplente desta vez por que achou que o
meu nome seria mais simptico ao Ministrio. - ele respirou - Vocs so amigos
do... Potter. Ento eu sei  que posso confiar nos dois. Acreditamos que no foi
algum do lord das trevas, pelo menos no algum sob as ordens dele... temos
meios de saber que ele no teve  nada a ver com isso.Dumbledore saiu para
assiumir pessoalmente as investigaes. Ele  o nico com todos os
pre-requisitos para tanto.
 -Longbotton - ele disse, e no parecia em nada com o Snape que eu conhecia, eu
juro para vocs, nem havia uma nica pontinha de maldade no jeito que se dirigiu
 a mim. - por favor, no fale disso com ningum. No sabemos quem pode estar
aqui dentro vigiando a escola para o ministrio... ou para o lord das trevas. O
mesmo  vale para voc, minha jovem. - ele disse, para Gina, e, incrvel, sorriu.
Confiem em ns, o Professor Dumbledore j est seguindo uma boa pista,
acreditamos que  eles vo voltar, vivos e inteiros. Acabei contando isso para
Pansy, e ela vibrou. Disse que sabia que o Professor Snape ajudaria a escola.
Que ele gostava tanto de Hogwarts quanto Dumbledore, dos  alunos inclusive. J
disse a vocs que eu e Pansy no concordamos em tudo, certo?

***

        Se vocs querem saber, durou duas semanas o sumio deles. Duas longas
semanas com a escola cheia de aurores nos vigiando, olhando para ns com cara de
quem  sabe tudo sobre o nosso presente, passado e futuro. Pelo menos Tonks
estava entre eles e ela era bem mais simptica que o resto. Devo dizer que foram
JUSTAMENTE  as duas semanas da exames. Grande. Eu fui muito bem em Herbologia,
mas fui mal em transfigurao, feitios e at em trato das criaturas mgicas.
Ok, acho que eu  no fui o nico que sa correndo e gritando de medo quando
Hagrid me pediu para jogar o feitio calmante na manticora. Defesa contra artes
das trevas no foi to  mal, mas algo que parecia o certo de se fazer em
advinhao foi o que me derrubou.  ta Diga-se de passagem que, se advinhao
sempre tinha sido uma matria problemtica, esse ano os problemas haviam com
certeza dobrado. Tnhamos dois professores,  a Professora Trelawney e Firenze,
que discordavam totalmente em mtodos e convices. Na verdade, Firenze no
acreditava que o futuro pudesse ser previsto por simples  bpedes... E ele
acabou se afastando das aulas. Ficava l no castelo, porque se voltasse para a
floresta proibida com certeza viraria pat nas mos (patas?) dos  seus
companheiros de espcie. A professora Sibila ento voltou ao seu programa
convencional, e passamos todo o ano olhando para bacias de prata com gua em
busca da iluminao superior. No  fui nada iluminado na hora da prova: - O
que o reflexo mostra? - ela disse - Que meus amigos esto mortos - eu inventei,
com um grande remorso, j que isso era o que eu menos queria. - S isso? - S -
no sei exatamente porque, mas no me ocorria nada mais horrvel que isso para
dizer. - Meu filho, at as pedras de Hogwarts sabem que eles esto mortos...
cus, porque pessoas sem viso INSISTEM em fazer minha matria?

** ta Sabem o que aconteceu? Eu fiquei com uma Mdia Global absolutamente
indecente. Com aquelas notas, eu seria reprovado, e reprovao no nvel
intermedirio significa  ser mandado embora de Hogwarts! De forma que eu deveria
tirar nota mxima na nica matria que restava, que estava suspensa at as
coisas se regularizarem. Vocs  perceberam que eu deveria tirar nota mxima
em... poes? - Eu... estou... morto - disse  Pansy.  - No  decente pensar
em voc quando seus melhores amigos esto desaparecidos. - Tambm acho. Mas
pensar que ficarei reprovado e no sei onde esto meus amigos  desesperador.
Porque Voldemort no me levou tambm?  - NEVILLE! - Pansy gritou e eu sa do
meu devaneio. - O qu? - 68Voc percebeu o que disse?  - Que eu estou morto? -
No... voc falou... o NOME dele. ta Na hora eu no pensei, realmente em, t,
v l, Voldemort como um nome assustador. J tinha problemas demais, ento,
porque pensar em mais esse? Era o fundo  do poo, estar reprovado, sem amigos...
sem Mione. S Pansy estava por perto.  - Obrigada, Pansy. - Por qu? Eu no
fiz nada!!! ta - Voc nasceu - eu disse - Voc est aqui, mesmo sabendo que eu
vou ficar reprovado.   - Voc ainda no est reprovado. ta - A quem voc
quer enganar? Ns no vamos tirar dez.  impossvel... obrigado por tudo Pansy,
mas  intil. Vou para o meu dormitrio, quero dormir at ser  chamado para ir
embora de Hogwarts. Pansy no me seguiu. Acho que ela havia entendido que tem
horas que mesmo o maior amigo no consegue ajudar. Fui para o dormitrio, que
estava deserto. A hora de  dormir ainda estava bem distante, e, apesar do que eu
dissera, no estava com sono. Fiquei na janela, olhando o lago de Hogwarts,
pensando que em breve estaria longe  dali: se eu fosse reprovado, me mandariam
embora. Meu destino provvel era alguma sub escola de magia, ou um daqueles
cursos por correspondncia como o que tio Grouxo,  o mais prximo de um aborto
na minha famlia (mais at que eu), fizera. Foi quando eu vi uma coisa grande,
voando desconjuntada, vindo por sobre o lago.
 Parecia uma grande... qualquer coisa voadora. A silhueta se aproximou mais e eu
vi que na verdade eram trs vultos. A lua no estava cheia, a luz era fraca, mas
 eu pude ver mesmo longe, que era um hipogrifo, mas no percebi direito a cor
dele. Tinha duas pessoas montadas nele, ao lado dele havia uma espcie de caixa
com  asas conjuradas... na mesma hora, eu percebi que, de alguma forma, o
professor Dumbledore havia conseguido: ele resgatara todos.

PARTE 5 -ELES SEMPRE VOLTAM! ta   Eu fui o primeiro a chegar no gramado onde
eles pousaram. O professor Lupin estava ajudando Harry a desmontar do hipogrifo.
Lembrei dele, claro! Era o bicuo!  Harry estava desmontando dele com
dificuldade, porque parecia estar com um dos braos quebrados. A coisa que eu
vira era uma caixa mesmo, depois me explicaram que  ele havia sido encantada
para voar. Dentro dela estavam Mione e um sujeito que eu nunca vira, desacordado
e amarrado e, tambm desacordado, Draco. Mas no havia  sinal de Rony ou do
Professor Dumbledore. O professor Lupin disse para Harry:  - Voc leva esses
dois para dentro. Acho que Madame Pomfrey vai dar um jeito nele. Vou sair dos
limites da escola e desaparatar para o Ministrio, com sorte Dumbledore  vai
chegar logo com notcias de Rony. E vocs dois - disse para Hermione e Harry -
vo precisar tambm ficar em observao na ala hospitalar. 
 -Ainda d tempo para salvar Rony? - perguntou Hermione, aflita. 
 -Temos que torcer que sim. - disse o professor, completando: - Neville, pode
nos ajudar a levar para a ala hospitalar os feridos sem gravidade? Eu assenti e
o professor Lupin rapidamente subiu no hipogrifo, que em segundos havia
desaparecido no cu.
 -E o que houve com Rony? - perguntei
 -Ele salvou Hermione - disse Harry - e se machucou um bocado.
 -E eles? - eu perguntei olhando para Draco e o homem desacordo.
 -L dentro a gente explica. - disse Harry, ajeitando o brao quebrado para
poder me ajudar a fazer um feitio para carregar a caixa junto com Hermione.
Levamos a caixa com Draco e o sujeito levitando at a ala hospitalar. No quis
ser inconveniente com Harry, achei melhor no perguntar nada at o brao dele
estar  legal. Ele parecia muito preocupado com Rony e nem ligava para Draco e o
sujeito amarrado, que iam batendo pelas paredes conforme os levvamos pelos
corredores. Chegamos  ala hospitalar, e Madame Pomfrey ia tentar desamarrar o
sujeito, mas Harry disse:
 -No faa isso. S quem pode fazer alguma coisa com ele  o professor
Dumbledore. Colocaram Draco numa cama, e eu finalmente perguntei:
 -O que h com ele?
 -Nada. Foi estuporado. Daqui a pouco ele acorda. - madame Pomfrey disse:
 -Brao quebrado. Vou dar um jeito nisso logo. - disse fazendo um feitio para
soldar os ossos de Harry to rpido que eu cheguei a ouvir o tlec da fratura
se  fechando.  - Madame Pomfrey, - disse Hermione - existe alguma forma de
conseguirmos transporte rpido para o Hospital St. Mungos? Podemos sair agora e
procurar uma lareira  no castelo e... - Nada disso, mocinha - disse Madame
Pomfrey, enftica - antes de vocs chegarem eu recebi um recado pela fnix de
Dumbledore dizendo que vocs estavam vindo, e  que eu no os deixasse sair
daqui! As horas se arrastaram, mas eu contive minha curiosidade respeitosamente.
L pelas tantas Draco acordou e perguntou:
 -J chegamos? Harry disse que sim e ele deitou-se pianinho e ficou quieto, a
atitude dele era a de algum que havia feito alguma grande besteira, por isso,
precisava ficar bem  quietinho. Hermione, que havia se controlado, de repente,
mergulhou as mos entre o rosto e comeou a chorar. Olhei para Harry, e ele
parecia to petrificado quanto  eu. Acho que nenhum dos dois estava realmente
pronto para algo daquele tipo. Harry colocou um brao em volta do pescoo de
Mione muito desajeitado e disse:
 -Tudo vai dar certo, ele vai ficar legal. Logo depois disso, o professor
Dumbledore chegou para nos salvar. Ele viera por sua lareira do Hospital St
Mungos, e disse que, apesar de tudo, Rony ia ficar bom!  E disse a Harry e
Hermione que no se preocupasse que ele ia dar um jeito no homem sardento que
continuava l, desacordado e amarrado. Foi quando ele pareceu finalmente
enxergar Draco e disse:
 -Creio que o senhor j aprendeu muita coisa, por esses dias. Como, por exemplo,
a no confiar em falsas promessas. - Draco abaixou a cabea. - Draco, meu filho.
 Voc no cometeu nenhum crime. Mas foi por muito pouco. Lembre-se disso daqui
para frente. Draco levantou-se e ia saindo quando o professor disse:
 -Antes de qualquer coisa, passe na sala do professor Snape. Ele tem algo a lhe
dizer. Foi s ento que me dei conta que Hermione parecia muito melhor agora. O
professor disse ento:
 -Vocs trs, como sempre, foram muito corajosos. Agora, eu tenho que dar o meu
jeito para que esse infeliz - apontou o camarada - no faa mas mal a ningum,
mas  tambm no seja pego pelo ministrio da magia. Ele  uma das poucas provas
que temos para mostrar que Cornelio Fudge est errando na conduo do
Ministrio, e que  pode fazer Voldemort ganhar poder com suas atitudes
desastradas.

 Ento, aparentemente tudo acabara bem, mas eu continuava a no saber de nada.
S ento percebi o estado lastimvel das roupas de Harry e Hermione. Achei
melhor  deix-los descansar, tomar um banho ou o que quisessem fazer. Quando
saa de fininho que Harry me parou.
 -Neville, obrigado.
 -Por qu?
 -Voc lembrou do sujeito estranho carregando um embrulho grande. Acredite.
Quando disse a direo em que o vira, ajudou a achar parte da pista que acabou
nos salvando.
 -Harry... eu estava querendo no te perguntar isso. Mas... o que diabos
aconteceu? E quem era aquele sujeito sardento?
 -Bart Crouch Jr. - disse Harry - voc no chegou a conhec-lo. Aquele nome...
ser que ele no sabia?
 -Eu no, mas meus pais sim. Eu sei que ele torturou-os quando era jovem, junto
com aquela Belatrix, que matou seu padrinho. 
 -No tinha certeza se voc sabia disso...
 -Minha av nunca escondeu realmente o que aconteceu. Ela queria que eu, olhe
bem EU, fosse um auror, como meu pai. Eu sabia o nome de todos os culpados,
embora  nunca tivesse visto esse cara a. Sei tambm que ele se disfarou de
Moody e todos ns o achamos legal, mas na verdade ele estava nessa para te
matar. O professor  Dumbledore me disse. Ano passado, tambm, ele me falou sobre
aquela profecia que quebramos sem querer no Ministrio da Magia... e o que ela
dizia. Desde que eu entrei  aqui, ele tem conversas comigo quando julga
necessrio. Ele no faz isso s com voc, Harry. Ele ficou me olhando em
silncio e eu perguntei:
 -O que Crouch Jr te fez dessa vez?
 -Bem... Tudo comeou na vspera de irmos para Hogsmeade. Draco vinha se
tornando mais arrogante, dizendo que em breve eu saberia o que estava reservado
para mim.  Eu no estava ligando muito para as ameaas dele, no acreditava nem
um pouco que Draco pudesse me bater num duelo. 
 -O que eu no sabia  que o imbecil do Malfoy estivera trocando corujas com o
Crouch Jr, sem saber quem ele era. O cretino acreditou que Crouch Jr tinha
cincia  sobre magia negra, e queria aprender com ele, uma vez que Voldemort no
gosta de bruxos ainda no formados nas suas reunies. S que o idiota no sabia
que Crouch  queria mat-lo: Ele estava com raiva, querendo vingana porque seu
mestre o rejeitou quando ele voltou, depois de fugir do lugar onde havia sido
mantido preso em  segredo, depois de ser falsamente beijado por um dementador. 
 -Todos ns pensamos que ele havia sido punido dessa forma, mas  Mr. Fudge no
fez isso. Ele no andava com um dementador ao seu lado sempre, como gostava de
fazer todos acreditarem, mas com um bruxo muito alto e magro, que era
especialista em segurana. Ele fazia isso para que confiassem nos dementadores,
coisa que nem mesmo ele conseguia mais fazer. Quando soube que Voldemort
voltara,  ele ficou histrico. S que achou melhor guardar o homem que sabia
tudo sobre a volta em segredo, tentando tirar algo dele, como o esconderijo de
Voldemort.
 -Depois daquela histria no ano passado, foi mais difcil acobertar o episdio
do comensal desaparecido, ele vivia mudando o esconderijo onde o guardava at
que  Crouch Jr fugiu. E voltou para Voldemort, que o rejeitou. No queria um
ex-comensal que fracassara. Ele  maluco, voc pode perceber s olhando para
ele. E o que  ele pensou? Que se pudesse fazer mal a algum comensal que tivesse
sido perdoado, estaria se vingando. Mas aquele que ele mais odiava, Lcio
Malfoy, j estava preso  em Azkaban.
 -Da para pegar o imbecil do Malfoy, ele no precisou fazer esforo nenhum. S
que quando o cretino do Draco se viu pego, no hesitou um segundo em dizer para
o  maluco que ele podia me pegar, se quisesse. 
 -Eu no acredito! E como ele pegou vocs?
 -Primeiro, ele, com uma capa de invisibilidade, comeou a me seguir. Ele queria
apenas a mim, mas eu estava no Trs Vassouras, que era muito movimentado porque
queria deixar Rony e Mione sozinhos por um tempo e...
 -Porque voc deixou eles sozinhos? - eu perguntei e ele fez uma cara muito
engraada.
 -Ser que voc no percebeu, Neville?
 -O qu?
 -Deixa para l. Bem, eu estava no Tres Vassouras, Rony e Mione estavam
passeando... queriam ficar sozinhos. Crouch os viu e sabia que eles eram meus
amigos. Ele  fez uma coruja chegar at onde eles estavam, como se fosse eu,
dizendo para o Rony me encontrar em um determinado lugar. Hermione no queria ir
achou que pudesse  ser uma armadilha. Nesse meio tempo, Malfoy apareceu no trs
vassouras sob feitio Imperius, dizendo que precisvamos falar sobre o trabalho
de poes, que ele chegara  a uma concluso e precisava me contar.  Tem certeza
que ele estava sob efeito de maldio?  - Infelizmente, tenho. Vi Crouch
Junior desfazer o feitio depois, quando nos prendeu. Adoraria que Draco fosse
expulso por isso, mas dessa vez ele  quase to  vtima quanto ns. Quando
Hermione chegou ao trs Vassouras e eu no estava l, foi at onde Rony e ela
haviam estado, mas ele tambm havia desaparecido. Crouch  Jr sabia que se ns
trs sumssimos juntos, demoraria para sentirem falta de ns, que andvamos
sempre juntos. 
 - verdade, Mione estava procurando vocs. O que aconteceu ento?
 -Bem... ele nos levou para a antiga residncia de vero dos Crouch nos limites
Hogsmeade, que estava desabitada, a no ser por Winky, que havia recebido uma
carta  do seu antigo senhor para ir encontr-lo. E foi ela que nos vigiou
durante o cativeiro.
 -Winky?
 -O elfo da famlia Crouch.
 -E como vocs sobreviveram por tanto tempo?
 -Irnico. Voldemort queria muito me pegar, mas ele no est forte como na poca
em que me fez isso.- Harry disse apontando a cicatriz - Ele adoraria ter Crouch
Jr de volta agora, mas ele no abria mo de matar Draco. Por isso estavam
negociando a minha entrega e a libertao de Malfoy... parece que a me de Draco
havia  recorrido ao Ministrio e ao velho mestre para conseguir a liberdade do
filho... mas claro, nada pode ser provado contra ela. Enquanto isso, Crouch Jr.
se divertia  nos torturando. Acho que no final ele no estava mais interessado
em me entregar para Voldemort, e sim simplesmente em nos fazer sofrer.
 -No final, ns j estvamos desesperados quando fomos resgatados por
Dumbledore. Ele havia achado a pista, dias antes em Hogsmeade. S que no sabia
quem nos tinha  pego. Ele comeou a cruzar fatos: o desaparecimento de Winky,
dias antes, que ningum havia notado, uma crise de pnico que Cornlio Fudge
tivera alguns meses antes...  tudo eles investigaram fora daqui
 -Ento, quando concluiu que era ele, achou que s havia um esconderijo
possvel. E foi at l. Crouch Jr no queria nos entregar, claro, s que,
enquanto ele lutava  com Dumbledore, ns reagimos e pegamos Winky, que tinha a
chave e as nossas varinhas. Eu ajudei a estuporar Crouch Jr, mas nesse meio
tempo, aconteceu algo terrvel.  Winky conseguiu segurar uma das varinhas,
primeiro, ela conseguiu pr Draco fora de combate, s que ela estava, no sei
porque, com muita raiva de Hermione. Achava  que Hermione era uma pessoa que
lutava contra a harmonia da vida dos elfos, com todo aquele papo de querer
acabar com a escravido.  -Eu acho que um elfo no consegue mandar um avada
kedavra em ningum. Mas elfos tambm no devem ter sido feitos para usar
varinhas, porque quando ela apontou  para Mione, saiu um grande raio da varinha.
Rony conseguiu lanar um contra-feitio, mesmo no sabendo muito bem o que Winky
lanara. E acabou daquele jeito.
 -E o elfo?
 -Morreu. O resto voc j sabe. Agora vamos ver o que acontece daqui para o im
do semestre. Depois dessa conversa, fiquei bem mais aliviado, mas no em paz,
ainda. Meus amigos j estavam salvos, mas ainda havia o exame de poes. At
pensei em procurar  Pansy, mas achei melhor no. Afinal, se eu estivesse com
ela, ia acabar contando que o seu querido Draquinho na verdade era um tremendo
covardo.

***  No dia seguinte, Harry me acordou, e disse que Rony estava de volta.
Corremos para a ala hospitalar e l estava ele, quase to branco quanto o
lenol, mas bem  vivo. Hermione havia chegado antes, e falava sem parar ao lado
dele, acho que, para anim-lo. Foi quando me dei conta, olhando para ela, que
era bem bvio que ela  gostava de Rony. No da forma que gostava de mim, com
carinho, ou da forma que gostava de Harry, cheia de admirao. Gostava por
gostar e no havia motivo algum  para isso. Sabem o que  o mais engraado? No
importava mais pra mim. Quer dizer, eu continuava gostando de Hermione, mas
agora ela no era mais uma pessoa num pedestal. Era  uma amiga, mais uma amiga.
Como Harry e Rony. No, um pouquinho mais que Harry e Rony, vamos ser justos.
 Estvamos l quando Pansy apareceu. Ela cumprimentou Rony e Harry com uma
educao incrvel, desejando melhoras a Rony. Devo acrescentar que ela disse
apenas oi  para Hermione. Achei aquilo meio estranho e, quase
involuntariamente, eu disse:
 -Ei, Pansy! No se preocupe, Draco est bem.
 -Eu no vim aqui por causa dele - ela disse sria - mas porque eu precisava
falar contigo.

ta Vocs lembram que eu disse que estava perdido, certo? E estava mesmo. O
Professor Dumbledore havia entregue o Crouch Jr. para um gupo de aurores, do
qual o  Moody fazia parte, recomendado um inqurito isento e um julgamento justo
que apurasse os fatos, o que parecia timo. S que ele, logo depois disso, ainda
arrumara  tempo para conversar com o Snape sobre os rumos da escola, ao qual
ele havia sido normalmente reintegrado. At a tudo timo. Harry, Mione, Draco e
Rony no podiam,  dessa vez, escapar de exames, mas fariam a segunda chamada na
ltima semana, e teriam toda ajuda que pudessem. Com certeza, conseguiriam todos
os NIEMs.  De resto a escola ia quase bem. Menos pelo fato que UM professor
ainda no tivera a oportunidade de aplicar seus exames, e esse professor era,
oh-que-surpresa  o Snape. E ele queria aplic-los, mas o professor Dumbledore
o convenceu que ele no poderia aplicar exames rigorosos para as turmas, uma vez
que ele no tinha ministrado  suas ltima aulas nem feito a ltima reviso. A
nossa turma, que deveria fazer defesas de cada poo precisava apenas entregar
um relatrio sobre o que havia feito  at o fim da semana.  Isso seria perfeito,
se eu no precisasse de uma nota mxima e o Snape no tivesse simplesmente
retirado um dos pontos dos NIEMs, e eu precisasse da nota mxima,  que ele mesmo
s havia prometido a quem apresentasse a poo publicamente, e de forma
estupenda (o que eu ainda tinha dvidas se eu e Pansy conseguiramos fazer).
Foi isso que Pansy me relatou, brevemente, bastante preocupada, o que terminou
com: - 68Neville, voc tem que pedir para ele reconsiderar!  a sua nica
chance.  - Pansy, voc est doida? Ele vai me transformar em mingau de aveia!!!
Imagine, eu, o derretedor de caldeires nmero um dessa escola, implorando ao
professor  que me d a nota mxima. O que voc acha que ele vai fazer? Me
oferecer um chocolate e pedir para eu explicar novamente o problema?  - Neville
- interveio Mione - voc pode apenas pedir que ele tente olhar o relatria de
vocs valendo dez em vez de nove. Pelo menos vocs estaro tentando!  ta Pansy
olhou Mione com cara de ei, quem pediu sua opinio?.. Mione ficou bem quieta e
Rony deu uma risadinha e logo depois fez uma careta de dor. Eu respondi:
 -Mesmo isso, seria difcil. Ele me odeia. Eu acho melhor comear a me preocupar
com vocs e fazer minhas malas. Ser reprovado em Hogwarts  uma vergonha to
grande  que minha av sequer vai me deixar voltar no prximo ano. 
 -Ei, no diga isso, Nev! Voc ainda nem conversou com ele - disse Harry e Rony
fez um sinal positivo. Ele no podia falar muito.
 -No sei. E porque vocs esto to confiantes? Ainda no fizeram nem um exame!
 -A gente d um jeito, oras. A gente sempre d um jeito, n? - disse Harry -
depois do que passamos... sei l, encaro o Snape at para relaxar. Vamos
simplificar: amigos s vezes te convencem que qualquer coisa  possvel. Quando
me dei conta, l estava eu, batendo na porta do professor de poes.
 -Entre! - acreditam que quando ouvi essa palavra eu soube que aquilo no daria
certo? Mas entrei assim mesmo. Snape escrevia algo num pergaminho. Levantou os
olhos  por um segundo e voltou a escrever: - 68Bo-bom dia, prefessor - eu disse,
odeio quando fico nervoso e falo tudo errado.  - Veio me implorar compaixo,
Senhor Longbottom? Eu sei que precisa de uma nota mxima.  Diabo. Ele sabia,
claro que sabia, e iria me humilhar, lgico: ta -Eu no tenho culpa se o
senhor escolheu matrias com fama de fceis - ele olhou para mim e eu sabia que
ele falava de advinhao. - Como algum consegue ser  to incompetente a ponto
de sequer conseguir mentir para a tonta da Sibila? Senhor Longbottom, eu sempre
me pergunto COMO o senhor veio parar aqui, sabia?  Eu no disse nada. ta
-Acha mesmo, Longbottom, que depois de CINCO ANOS vendo o senhor derreter
caldeires na MINHA aula eu vou querer v-lo ser qualificado como bruxo apto a
fazer  poes apenas porque seus amiguinhos foram imprudentes e acabaram nas
garras de um maluco como Crouch Jr.? Acha que eu vou ser condescendente com o
senhor? E l estava eu, ainda calado.
 -E, claro, o senhor no deve ter sequer contribudo para o relatrio, ou no
estaria aqui, na minha frente, esperando que eu me comporte como... como o
Lupin, por  exemplo, que dizia que voc efetivamente tinha qualidades, que eu
realmente no consigo enxergar... - ele novamente tirou os olhos do pergaminho e
disse:
 -Vai ficar a parado? No vai dizer nada? Se tem algo a falar, fale, logo, no
tenho o dia todo. Eu tinha passado tempo demais ali, calado, quieto. Mas no
deixara de pensar por um segundo numa coisa. Eu no estava com coragem de falar
sobre ela, mas quando  Snape pediu... eu falei.


PARTE 6 - PULANDO NO ABISMO

- 68Ns O QU? - Eu e Pansy andvamos apressadamente na direo da sala da
professora McGonnagal. - Ns vamos apresentar a poo para o Professor na Sexta
Feira, Pansy. - Ficou louco? Ningum mais vai fazer isso, Neville! Voc quer que
a gente seja reprovado? - Eu j no tenho nada a perder. E Snape nunca vai te
reprovar. - Mas.. mas.. - Pansy - eu me virei e fiquei de frente para ela, e a
segurei nos ombros: - Voc acha que a poo no vai funcionar? - Eu... eu no
sei. Quer dizer... - Ns temos que arriscar.  a nica chance que eu tenho, e 
a primeira vez na vida que eu vou tentar, se eu errar, pacincia - engraado o
jeito que ela  me olhava. Eu pensei por um instante e disse: - Voc confia em
mim? ta Pansy sorriu. De novo eu pensei em como ela ficava melhor quando no
estava emburrada. Ela nem precisou responder, seguimos a sala da professora
Minerva, onde  eu entrei e disse: - 68Professora... a senhora sabe onde posso
encontrar o professor Dumbledore?

***
        Havia trs dias at a apresentao da poo. Seria um tempo para
ensaiar, certo?
        Errado. Ns no podamos ensaiar! A poo tinha como principal princpio
fazer com que qualquer um, inclusive o menos musical dos seres humanos (acertou
quem disse Neville Longbotton), conseguisse cantar como um cantor de verdade. Ou
quaaase isso, se tivssemos muita sorte. Por isso mesmo, no podamos ensaiar,
seno  pareceria uma fraude. 
        Claro que essa no parecia uma boa idia. Era to inteligente quanto
pular num precipcio para testar se uma vassoura era realmente voadora. Mas no
me ocorrera  nenhuma outra reao  tentativa de humilhao que eu sofrera seno
bancar o valente e dizer que eu na verdade fora ali para dizer que, como essa
era a nica chance  que eu tinha, eu queria us-la, independente do que fosse
passado para o resto da turma. Snape no primeiro momento gargalhara incrdulo,
mas, depois de me ver com  uma cara de quem no estava brincando, ele resolveu
pagar para ver. 
        Isso, claro, teve seu preo. Primeiro, foi o fato de todo mundo me olhar
nos corredores como algum que ia servir de alimento a algum dos amiguinhos do
 Hagrid. Harry, Rony e Hermione me deram muita fora, mas, no fundo eu achava
que eles estavam pensando que tinha sido muito bom me conhecer, mas era triste
ter uma  morte to horrvel. Eles estavam fazendo a segunda chamada para os
exames junto com Draco, e at que estavam indo bem (Rony ainda respondendo os
exames na ala hospitalar).  Harry havia batido o recorde de criatividade em
previses medonhas sobre a prpria morte: dissera que ele ia ser morto por um
grande monstro, que iria destruir Hogwarts,  Hogsmeade e mais umas cidades
trouxas que entrariam em seu caminho. Tirou dez em advinhao. 
        Mesmo em poes, eles tinham relatrios razoveis: Rony conseguira
contrabandear para dentro de Hogwarts algumas das anotaes de seus irmos sobre
como  fazer poes para explodir, murchar, enrugar, e outras coisas horrveis.
Baseado nelas, ele havia (ignorando o idiota do Goyle) feito uma poo para
fazer bolhas  de sabo explosivas. Harry continuava com sua mistura de milk
shake e fogos de artifcio e Hermione, sem a ajuda de Crabbe, bvio, havia
inventado uma poo para  fazer cogumelos danarem, ou melhor, se moverem um
pouco ao ritmo de uma msica. ta No posso deixar de mencionar o comportamento
de profundo incentivo do professor Snape. Ele me olhava o tempo todo com um
olhar de satisfao sdica, como uma  cobra olha aquele ratinho bem frgil que
ela sabe que vai pegar ali adiante. E, claro, as palavras de encorajamento: -
68Espero que esteja curtindo esses ltimos momentos, meu jovem... - Ah, senhor
Longbotton, eu soube que abriu o concurso de bolsas para o segundo grau numa
escola trouxa prxima a Londres... voc deveria tentar, apenas por  garantia.
ta Estimulante, no? Pois , eu estava preparado para o pior, mas, pelo menos
ficaria reprovado com alguma dignidade... a no ser que a poo desse mais
errado  que o pior que pervramos que poderia ser, o que pode se descrever como
desastre total.
        Na vspera da apresentao, encontrei Pansy na sala de estudo, para uma
ltima checagem. Ns ainda no havamos sequer mexido na penseira depois de todo
 rolo, e no tnhamos certeza de quanto do fluido teramos que adicionar na
poo, na hora de tom-la. Quando preparvamos as pipetas para encher os
frasquinhos com  o lquido a fim de levar para a aula, eu lembrei do meu
pensamento triste que entrara na poo e disse: - 68Temos que tirar ele da,
pode estragar tudo! ta Mas Pansy no deixou, impedindo que eu pegasse minha
varinha segurando em minha mo. Ela me encarou e disse:
 -Nev... eu descobri uma coisa, esses dias. No  s alegria que inspira. Se
voc tirar seu pensamento triste da, no vai ser voc... - 68Mas...  - Eu
tambm pus um pensamento triste a dentro.  - Que pensamento? - Depois que a
gente apresentar eu te digo.  - Mas... - Nev, porque no confiamos um no outro?
- Ok, Pansy - eu respondi intrigado, tentando imaginar que pensamento triste ela
poderia ter.   *** ta Bem... uma hora antes da aula de poes, eu j no
sabia mais se havia feito a coisa certa. Olhava para o frasco com a poo na mo
direita, e para o frasco  com o lquido da penseira na mo esquerda e pensava
que aquilo tinha TUDO para dar MUITO errado. Pensei em toda a minha vida em
Hogwarts, como aquele filminho que  dizem que passa na cabea da gente antes de
morrermos. E eu via coisa ruins e boas, mas mais boas que ruins, de qualquer
forma. Eu no queria ir embora, de forma nenhuma, eu no queria deixar meus
amigos e nem os professores, eu no queria ser um derrotado, eu no queria
tambm passar o resto  da minha vida pensando que eu poderia ter sido um bruxo,
mas tinha sido derrotado pela minha prpria incompetncia. Nesse instante, eu
olhei para Pansy e pensei  que acima de tudo, eu no queria deixar de v-la. Foi
nesse instante que eu FINALMENTE percebi que... eu gostava dela! (ok, ok. Eu j
disse a vocs que eu sou meio  lento, n?).
 -Neville? - Pansy perguntou, e eu devo ter feito a cara mais estpida do mundo,
porque eu fico com cara de idiota quando descubro alguma coisa importante. -
68H? Ah, sei l, Pansy... eu estou um pouco nervoso com essa histria toda...
queria que isso passasse logo, entende? - Eu tambm... mas falta pouco para a
apresentao... logo tudo vai ter terminado.   Eu no disse nada. Mas pensei
que no queria que tudo simplesmente terminasse.

***
        Ento, inevitvel como a morte, a hora da apresentao chegou. Estava a
turma inteira l. At Rony, que sara da ala hospitalar aquela manh, mais
magro,  mais plido e um pouco menos falante, porque ainda estava se recuperando
dos ferimentos internos. Eu achei engraado porque, pela primeira vez numa aula
de poes,  ele estava sentado ao lado de Hermione, no de Harry. 
        Snape entrou na sala e falou brevemente que colocassem os relatrios
sobre a sua mesa, dizendo que julgaria um por um com o mesmo rigor que
observaria as  apresentaes, se elas houvessem acontecido. E ento disse:
         -S que uma dupla, no sei se por coragem ou simplesmente porque um dos
dois precisa desesperadamente de um pontinho para no dar um adeus definitivo 
escola, resolveu me pedir que julgasse sua apresentao de poo...
        Ele foi interrompido por algum batendo  porta. Eu e Pansy nos olhamos,
satisfeitos. O professor Dumbledore estava parado  porta, sorridente, e pediu
licena  para entrar. Snape permitiu, com um ar bastante intrigado. Ento, ele
disse:
         -Severo, peo que ignore minha presena, por favor. Vim aqui apenas
para fazer um pequeno favor  dupla Longbotton-Parkinson. Nada que v,
absolutamente,  intervir na apresentao que eles pretendem fazer. - e, dizendo
isso, ele foi para o canto vazio ao lado do professor, puxou uma carteira e
transfigurou-a em um  piano de cauda. Logo depois, transformou as prprias
vestes em um fraque, o que eu realmente no havia pedido que ele fizesse. Pansy
deu um sorrisinho satisfeito.  Um murmrio atravessou a turma, e Snape parecia
absolutamente encucado com aquilo, tanto que, em vez de seguir com sua
explanao ele simplesmente disse:
         -Longbotton, Parkinson... por favor, sigam com isso que eu estou
ficando curioso. 
        Ele ento sentou-se numa carteira, ao lado de Draco que deu um
sorrisinho sem graa para ele.
        Eu sabia que a parte mais complicada disso seria explicar como havamos
feito a poo. Distribumos todos os ingredientes sobre a mesa, e colocamos num
cantinho  os frascos com os lquidos, e a penseira. Eu comecei a nossa
explanao:
         -Be-be-bem... ns... ns... - Pansy me deu um cutuco e eu me ajeitei e
pedi desculpas. Ela me olhou murmurando que eu me acalmasse e eu tentei
prosseguir: 
         -No livro que o av de Pansy escreveu h uma lio sobre poes... ela
diz que... hum... uma poo  feita de ingredientes orgnico, fisicos e
qumicos...  mas que no est completa se no... tiver algo mgico.
         -Exatamente - me cortou Pansy, porque eu havia falado de forma insegura
e lenta - Neville foi responsvel sobre a parte orgnica, eu fiquei com a
qumica.  Ns dois pesquisamos...
         -Fascinante - disse Snape - Senhor Longbotton, como o senhor
desenvolveu a parte orgnica?
        Lgico. Snape queria ME pegar. Vocs acham que ele deixaria que Pansy
falasse sozinha? Eu comecei a pegar as ervas e dizer as propriedades de cada
uma, dizendo  que elas serviriam ao propsito de nossa poo (que ns ainda no
havamos revelado). Falei dos ingredientes que havamos descartado, e porque o
havamos feito,  e estava realmente com pena dos meus colegas, porque essa
explicao j seria chata, dada por um orador nato como eu, deve ter sido
torturante. Mas Dumbledore  observava com uma ateno interessada. Quando chegou
a vez de Pansy falar, ela foi mais breve, e fez sua apresentao de forma mais
interessante que a minha. A  disse: - 68J tnhamos uma frmula. Faltava algo
que fosse mgico, para torn-la uma poo. - E o que foi que os senhores usaram
de to mgico, Senhor Longbotton? ta Deu vontade de gritar. P, o cara no
queria mesmo me deixar em paz. Eu mostrei a penseira e disse que para funcionar,
a frmula deveria ter algo de ns dois,  que tivesse a ver com as emoes, com
tudo que pudssemos fazer juntos - aqui fomos interrompidos por um constrangedor
huuuuuuum, vindo da turma, mas Snape deu um  olhar glido e no houve mais
manifestaes do gnero. 
 -Bem... - eu completei - ento, ns vamos ter que finalizar a mistura aqui, e
mostrar o que... o que a poo faz. - eu e Pansy nos olhamos, no havia porque
no  dizer que estvamos nervosos. Claro que estvamos, afinal, ali  que
comeava a verdadeira prova de fogo. Cada um pegou um misturador e os dois
frascos. Primeiro  jogamos a poo, e logo depois, o lquido da penseira. A
realmente tudo pareceu perdido, porque houve duas pequenas exploses, seguidas
de um barulho, vindo da poo, que lembrava uma nota alta e aguda, algo como
LAAAAAAAAHHHHHHHH!!!! !!!. O troo ferveu dentro dos misturadores por um segundo
e Snape comentou: - 68Parece um tanto... instvel.  ta -J vai estabilizar -
eu disse, mais para me acalmar que para convenc-lo. Ento, como por milagre, a
poo ficou azul cobalto e soltando uma nvoa branca.  Era hora de tom-la.
Claro que eu e Pansy estvamos apavorados, porque no calculvamos que essa
reao acontecesse. Mas j no havia jeito mesmo. Eu disse: - 68Logo em seguida,
vocs vero o efeito da poo.  ta Eu e Pansy samos de trs da mesa dele e
ficamos frente a frente, com os misturadores na mo. Pansy murmurou: - 68No
trs, n?  - Ok. Um... - Dois... ta -Trs! - dissemos juntos e engolimos a
poo. Eu esperava que ela queimasse ou ardesse, ou ainda tivesse algum gosto.
Ela s era morna e suave, quase sem  gosto, a no ser um azedinho adocicado por
causa da malva silvestre. De incio, no percebi nada. Ento, eu soube que
estava dando certo, porque fiz um sinal positivo  para o Professor Dumbledore e
ele comeou a tocar o piano. Acho que a turma inteira estava boquiaberta, porque
isso no parecia fazer muito sentido. Eu olhava para  Pansy, e ela era a mesma,
mas parecia diferente de alguma forma, se eu soubesse ento como me expressar,
diria que ela parecia estar me inspirando. Eu sabia o momento certo de entrar na
msica, e quando ele chegou, foi natural para mim comear a cantar (traduo no
fim da fic):

It's a little bit funny this feeling inside I'm not one of those who can easily
hide I don't have much money but boy if I did I'd buy a big house where we both
could live ta  ta Quanto mais eu cantava, mais seguro eu me sentia, e
melhor, isso era natural. Eu achava que j era magnfico esse efeito, e ento,
Pansy comeou a cantar a  parte dela: ta  If I was a sculptor, but then again,
no Or a man who makes potions in a travelling show I know it's not much but it's
the best I can do My gift is my song and this one's for you ta  A voz dela
saa suave e afinada, e se eu achara que havia cantado corretamente, agora,
apenas ouvindo, eu ficava maravilhado, em parte porque a poo funcionava
perfeitamente, e em parte porque Pansy cantando, de alguma forma, me tocava e
fazia eu gostar ainda mais dela. E eu nunca me sentira assim. Quase me perdi
nesse  pensamento, mas felizmente, no perdi o momento de entrar novamente na
cano, quando cantamos juntos:

And you can tell everybody this is your song It may be quite simple but now that
it's done I hope you don't mind I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is while you're in the world

ta Nessa hora, eu ouvi o murmrio da turma ficar mais alto, mas isso no me
atrapalhou na parte seguinte,nos versos que eu achava estranhos, mas gostara
quando  ouvira atentamente a msica, no dia em que a havamos escolhido para a
apresentao:

I sat on the roof and kicked off the moss Well a few of the verses well they've
got me quite cross But the sun's been quite kind while I wrote this song It's
for people like you that keep it turned on ta  Quase diretamente, Pansy
continuou, olhando para mim sorrindo. De repente, no havia mais sala de aula,
nem piano, nem Dumbledore, e nem, graas a Deus, Professor  Snape. 

So excuse me forgetting but these things I do You see I've forgotten if they're
green or they're blue Anyway the thing is what I really mean Yours are the
sweetest eyes I've ever seen


ta S eu e ela, cantando um para o outro, num palco grande e vazio. E
cantvamos, no poderia ser diferente, uma cano de amor:

I hope you don't mind I hope you don't mind that I put down in words How
wonderful life is while you're in the world

ta A msica ento acabou, o som do piano morreu, mas eu sabia que o meu mundo
era melhor porque Pansy estava nele. S me ocorreu abra-la de forma bem
apertadinha,  para que ela no sasse de perto de mim, enquanto os aplausos
muito entusiasmados da turma (at dos Sonserinos) nos ensurdeciam. Eu a abracei
to apertado, to cheio  daquele sentimento gostoso, com os olhos fechados para
no saber de mais nada, que nem notei que algum me cutucava. S notei o
professor Dumbledore quando ele disse: - 68Vocs precisam agradecer os aplausos!
ta Ns nos largamos, rindo e eu, segurando a mo de Pansy, curvei o corpo numa
reverncia desajeirada, que ela acompanhou. O melhor de tudo foi ver a cara do
Professor  Snape na primeira fila, porque acho que a ficha dele ainda no havia
cado. Ele estava absolutamente perplexo. O professor Dumbledore disse:
 -Severo, eu no quero de forma nenhuma atrapalhar seu julgamento, mas foi muito
prazeiroso tocar para que esses dois jovens cantassem. Se precisar de alguma
coisa,  estou na minha sala.  Ele destransfigurou o piano e as vestes e saiu. O
professor Snape levantou-se, incapaz de dizer qualquer coisa e ficou olhando
para ns dois. Ele abriu a boca umas  trs vezes antes de dizer: - 68Vocs
foram... timos. Meus parabns, Longbotton. Voc est aprovado.  ta Imaginem o
seguite: voc atravessou um deserto. Sofreu muito, muito mesmo. O sol era
escaldante, insuportvel e voc s seguiu em frente porque havia algum  ao seu
lado. E, no fim do deserto, encontra um osis incrvel, que te faz esquecer, de
todas as formas, o que voc passou, ou, melhor dizendo, faz voc ver que tudo
valeu a pena. Era assim que eu me sentia, bobo demais para falar qualquer coisa.
Eu deveria, na hora, ter feito o que queria, que era pegar Pansy e levar para
algum lugar distante e solitrio para falar do que eu sentia, mas, como sempre
digo,  eu sou eu e sou incapaz de agir com presteza e inteligncia no momento
certo. S sei que a turma da Grifnria de repente estava me cercando e me
carregando e gritando  como seu eu fosse um heri, e eu estava atordoado demais
e ainda disse: - 68Ei, gente, d um tempo... eu preciso... - Neville, voc
conseguiu!!!!  - Voc viu a cara do Snape? -  isso a, cara - Gente, me ponham
no cho! - eu pedi desesperado, vendo Pansy ficando para trs enquanto eu era
arrastado da sala. - Nada disso, temos que comemorar! -  isso a! - Quem ia
dizer, hein? O Nev, justo ele, arrasou com o velho Snape - ME PONHAM NO CHO!
ta  terrvel isso, amigos s vezes conseguem ser um saco. Quando eu
finalmente fui posto no cho, eu disse:
 -Gente, eu fico feliz, eu nunca fui to feliz e quero comemorar mas eu preciso
falar com a Pansy... - 68IHHHHHHHHHHH! - eu achei esse corinho MUITO babaca.  -
D para vocs pararem com isso? - Ah, Nev - disse Hermione -  que a gente ficou
muito orgulhoso de voc!  ta Eu fiquei realmente feliz com isso. Hermione
sempre dizia que estava orgulhosa quando eu fazia a mnima coisa certa. E pela
primeira vez isso no era apenas  uma palavrinha de incentivo.  - 68Obrigada,
Mione, obrigada, gente. Vocs so muito legais. Mas agora eu tenho que falar com
a Pansy - eu disse e virei s costas. Ainda ouvi Rony dizendo: - Ih, o Nev vai
beijar na boca... - E voc, nada, n, Rony? - eu ouvi a voz de Harry responder.
ta Ri sozinho e segui at a sala do Snape, esperando encontrar Pansy ainda l.
Ela no estava mais. Apenas Snape, que examinava o material da nossa
apresentao.  Eu perguntei, muito sem graa: - 68Pro-professor Snape, o Senhor
viu a Pansy? - ah, vocs acham mesmo que eu por acaso havia perdido o medo do
Snape? Claro que no. Ele me olhou e disse: - Ela saiu, deve ter ido para sua
sala comunal  - Obrigado - eu disse, j me virando, quando ele me chamou.  -
Longbotton? - eu me virei de volta e fiquei olhando para ele. Ele continuou - o
que vocs dois fizeram foi muito inteligente. Vocs trabalharam muito bem.  Meus
parabns, garoto.  - Obrigado, professor. Vou tentar no derreter mais nenhum
caldeiro na sua aula. Prometo. ta E ento, o impossvel aconteceu: eu
testemunhei, juro, um sorriso do professor Severo Snape! Onde est o Colin
quando se precisa dele? O professor, ainda rindo  disse: - 68V procurar Pansy.
E transmita a ela tambm meus parabns. ta Ah, com certeza, eu ia transmitir
os parabns dele e muito mais. 

EPLOGO - EU... ERR...GOSTO DE VOC... ta  Eu agora s queria ver Pansy,
claro, ficar com ela e dizer todas as coisas legais que ela merecia ouvir. Fui
andando at o corredor da masmorra onde eu achava que  era a sala comunal da
Sonserina. Eu no sabia como entrar l, e fiquei bestando pelo corredor por um
bom tempo, at que vi o Malfoy e seus amiguinhos chegando. Eles  me olharam com
uma cara bem insatisfeita e eu perguntei se eles haviam visto Pansy. Draco
respondeu:
 -Ela ficou chateada porque voc no ligou para ela e se escondeu l na nossa
sala comunal. Deve estar chorando, a essa hora. Eu fiquei olhando para ele,
pensando como uma pessoa podia, ao mesmo tempo, ser to cretina e babaca. Sacudi
a cabea e disse:
 -Malfoy... quase te mataram porque voc foi um babaca idiota.  to impossvel
assim para voc ser menos babaca e menos idiota? Ele ficou me olhando surpreso,
e os outros dois pioraram um pouco suas carrancas. Draco disse: - 68Eu me
arrependi de ter sido estpido. Mas seus amiguinhos... quando meu pai sair...
ta - Pelo menos uma vez na vida saiba perder. Isso acabou, voc est aqui, foi
salvo graas a eles... Cale a boca, Malfoy. Se no tem nada de til a dizer, no
diga nada.  Ele se calou. Acho que os outros dois queriam usar os punhos em mim,
mas ultimamente Malfoy andava bastante desmoralizado para ter a coragem de pedir
para os seus  capangas baterem em algum. Dei as costas a ele, pensando no que
ia fazer para falar com Pansy. Eu ia saindo das masmorras quando ouvi Pansy me
chamar. Ela vinha  da direo onde Draco fora. Eu sorri para ela, mas ela veio
sria at a mim:
 -Draco me disse que voc estava aqui, querendo falar comigo. No sei porque,
afinal, agora o semestre acabou, voc est livre de mim, a Granger est
orgulhosa de  voc e... - 68Do que voc est falando? ta -Ora... acabou, era o
que voc queria, no? Parecer forte e legal para os seus amigos, e conseguiu.
Nem lembrou de mim na hora que eles te carregaram e...
 -Voc  uma boba, Pansy, eu berrei que me pusessem no cho, e quando finalmente
fizeram isso, voc tinha simplesmente sumido! O que queria que eu fizesse?  -
68Ah, eu... o que voc quer me dizer? ta -Eu? - ah, legal. Um ataque de
pnico. E se ela no quisesse nada comigo, o que eu poderia fazer? Eu tinha que
dizer algo melhor que o habitual. Dessa vez  no tinha piano nem musiquinha, e
aparentemente aquela segurana que a poo me dera tinha ido para o espao. - eu
queria te dizer... ah, eu queria te dizer, sabe?  - cocei a cabea. -
queugostodevoc.   63Qu?  Gosto... de voc.  - 68Gosta de mim? - Claro. Ou
voc no notou?  Ela ficou me olhando meio desconfiada, achei logo que eu no
me expressara bem.  - 68Voc ainda... o Malfoy?  - Bleah! Esquece o Draco, ele 
um babaca! - Concordo. - E... voc no gostava da? ta -Hermione? Sabe... ela 
minha amiga, e s. E no  porque ela no gosta de mim,  porque  assim que as
coisas so. Eu gostava dela, ou melhor, eu achava  que gostava. Eu s descobri
assim, o que  gostar de verdade depois... depois... Eu queria fazer um belo
discurso sobre todas as coisas legais e bonitas que Pansy me lembrava. Juro que
queria. Mas eu, em vez disso, dei um passo a frente, e, como  se isso fosse a
coisa mais natural do mundo, a beijei. No, eu nunca havia feito isso, mas foi
to mais fcil, que achei que eu realmente deveria ter feito muito tempo antes.
O melhor foi que ela no me repeliu, no  mesmo. Quando finalmente abrimos os
olhos ela disse: - 68Neville... - Eu.  - Eu gosto de voc, tambm.  -  bom
saber disso. - eu aproveitei a deixa e beijei-a mais uma vez.

***
        Bem, o semestre s durou mais alguns dias, e foi realmente embaraoso
aturar toda aquela gozao dos colegas da Grifnria. No fim nem estava ligando
muito.  Rony e Hermione ainda demoraram mais tempo ainda, pelo que eu sei, eles
s comearam mesmo a namorar no meio das frias. E, pelo que Harry me contou, s
depois que  Hermione agarrou Rony. 
        S sei que eles tratavam Pansy muito bem, e ela at parou de implicar
com a Mione, quando percebeu o bvio. Hermione era mesmo uma grande amiga, e
gostava  de um outro cara. No dia de ir embora, quando entrei na cabine do
expresso (me perguntando porque mais ningum ainda entrara ali conosco), Pansy
estava de costas  para a porta, jogando fora um pensamento da nossa penseira,
que ainda conservvamos, cheia de coisas legais, e que ainda queramos conservar
pelo tempo que fosse  possvel. Ela no precisava ira para o vago dos
monitores, o que era muito bom. Dei um beijo no pescoo dela e pus a cabea por
cima de seu ombro, olhando a penseira.  Perguntei: - 68O que era isso? - Meu
pensamento triste. No preciso mais dele. - No? O que era?  - Ah... era que...
quando acabasse tudo, no amos mais nos ver. - Uau! Que pensamento idiota! - eu
ri. Ela riu tambm e virou-se para mim, dizendo, um segundo antes de me beijar:
-  mesmo. ta Eu disse a vocs, no comeo dessa histria, que ela havia
bagunado tudo. E foi isso mesmo, ela bagunou minha idia de mundo, e a idia
que eu fazia de mim  mesmo. Depois que isso aconteceu, eu tive que arrumar, e
descobri que com ela me ajudando, tudo podia ser mais fcil, melhor. Disse
tambm a vocs, que quando a  conheci, eu era QUASE feliz. Agora no sou mais,
eu sei.  Sou mesmo muito feliz.

Fim. 

fr3 Your song - Elton John It's a little bit funny this feeling inside I'm not
one of those who can easily hide I don't have much money but boy if I did I'd
buy  a big house where we both could live If I was a sculptor, but then again,
no Or a man who makes potions in a travelling show I know it's not much but it's
the best  I can do My gift is my song and this one's for you And you can tell
everybody this is your song It may be quite simple but now that it's done I hope
you don't mind  I hope you don't mind that I put down in words How wonderful
life is while you're in the world I sat on the roof and kicked off the moss Well
a few of the verses  well they've got me quite cross But the sun's been quite
kind while I wrote this song It's for people like you that keep it turned on So
excuse me forgetting but  these things I do You see I've forgotten if they're
green or they're blue Anyway the thing is what I really mean Yours are the
sweetest eyes I've ever seen And  you can tell everybody this is your song It
may be quite simple but now that it's done I hope you don't mind I hope you
don't mind that I put down in words How wonderful  life is while you're in the
world Sua cano  um pouco engraado esse sentimento interior Eu no sou
daqueles que esconde isso facilmente Eu no tenho  muito dinheiro, mas cara, se
tivesse Eu compraria uma casa enorme onde pudssemos viver juntos Se eu fosse
escultor, ou melhor, no Se fosse um homem que fizesse  poes num show
itinerante Eu sei que no  muito, mas  o melhor que posso fazer Meu presente 
minha msica, e essa aqui  para voc E voc pode dizer para todo  mundo que
essa  sua cano E ela  bem simples, mas foi o que deu pra fazer Espero que
voc no se importe Espero que voc no se importe porque eu pus em palavras
Como  maravilhosa a vida pra mim, j que voc existe Eu sentei no telhado e
limpei o musgo Bem, alguns versos me deixaram bastante intrigado Mas o sol foi
bastante  gentil comigo enquanto eu escrevia sua cano Ele , para pessoas como
voc, que o mantm vivo Ento, me desculpe esquecendo as coisas que eu fao
Sabe, esqueo  se eles so verdes ou azuis De qualquer forma, o que eu quero
mesmo dizer  que seus olhos so os mais doces que eu jamais vi. E voc pode
dizer para todo mundo  que essa  sua cano E ela  bem simples, mas foi o que
deu pra fazer Espero que voc no se importe Espero que voc no se importe
porque eu pus em palavras Como   maravilhosa a vida pra mim, j que voc existe
fr3
